SIM-P: Diagnóstico da Síndrome Inflamatória Multissistêmica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Escolar de 8 anos apresenta febre alta há cinco dias, dor abdominal com episódios de diarreia e exantema maculopapular difuso, não pruriginoso, mais intenso e de início em tronco. A mãe relata que notou vermelhidão em olhos e lábios, além de muita prostração e respiração rápida na menina. Ao exame físico, encontra-se hipoativa, febril (39,2°C), taquicárdica, taquipneica, com exantema polimórfico em tronco e hiperemia conjuntival. As últimas vacinas realizadas foram aos dois anos. Há história de contato com primos gripados há três semanas. Diante desse caso, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Sarampo.
  2. B) Meningite pneumocócica.
  3. C) Síndrome de imunodeficiência adquirida.
  4. D) Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica.

Pérola Clínica

Febre ≥ 3 dias + Disfunção orgânica + Marcadores inflamatórios ↑ + Pós-COVID = SIM-P.

Resumo-Chave

A SIM-P é uma condição hiperinflamatória grave que ocorre 2 a 6 semanas após a infecção por SARS-CoV-2, exigindo alta suspeição clínica em crianças com febre persistente e sinais de choque.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) surgiu como uma complicação tardia e grave da infecção pelo SARS-CoV-2. Diferente da fase aguda da COVID-19, que costuma ser leve em crianças, a SIM-P é uma resposta imunológica desregulada que ocorre semanas após o insulto viral inicial. A fisiopatologia envolve a ativação massiva de macrófagos e células T, levando a uma falência multiorgânica. O reconhecimento precoce é vital, pois a deterioração clínica pode ser súbita. O caso clínico ilustra perfeitamente o cenário: escolar com febre, sintomas gastrointestinais, exantema e sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia/taquipneia) após contato epidemiológico prévio.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos da SIM-P?

Os critérios (OMS/CDC) incluem: febre persistente (geralmente ≥ 3 dias), idade entre 0-19 anos e pelo menos dois dos seguintes: 1) Exantema ou conjuntivite bilateral não purulenta ou sinais de inflamação mucocutânea; 2) Hipotensão ou choque; 3) Disfunção miocárdica, pericardite, valvulite ou anomalias coronárias; 4) Evidência de coagulopatia; 5) Sintomas gastrointestinais agudos. Além disso, é obrigatória a presença de marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS, procalcitonina) e evidência de infecção por SARS-CoV-2 (RT-PCR, antígeno ou sorologia positiva) ou contato próximo com caso confirmado.

Como diferenciar SIM-P de Doença de Kawasaki?

Embora compartilhem características mucocutâneas, a SIM-P tende a afetar crianças mais velhas e adolescentes (Kawasaki é mais comum em < 5 anos). Na SIM-P, os sintomas gastrointestinais (dor abdominal, diarreia) são proeminentes, e há uma incidência muito maior de choque e disfunção ventricular esquerda. Laboratorialmente, a SIM-P apresenta linfopenia mais acentuada, trombocitopenia (Kawasaki costuma ter trombocitose na fase subaguda) e níveis de ferritina e dímero-D significativamente mais elevados.

Qual o tratamento inicial recomendado para SIM-P?

O tratamento baseia-se na imunomodulação para conter a tempestade de citocinas. A primeira linha geralmente envolve Imunoglobulina Intravenosa (IGIV) em dose alta (2g/kg) associada a corticosteroides (metilprednisolona). Em casos refratários ou muito graves, podem ser utilizados biológicos como inibidores de IL-6 (Tocilizumabe) ou anti-TNF (Infliximabe). O suporte hemodinâmico em UTI é frequentemente necessário devido ao risco de choque distributivo ou cardiogênico, além de profilaxia antitrombótica com AAS ou enoxaparina, dependendo do risco.

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