INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Um pré-escolar com 4 anos de idade foi diagnosticado com COVID-19 há 30 dias, sem complicações na época. Há 5 dias, tem tido febre diária, 38 a 40 °C, persistente. No segundo dia de febre, apresentou língua em framboesa, linfadenite cervical unilateral (3 cm), tendo recebido, na ocasião, dose única de penicilina benzatina. Hoje, quinto dia, é atendido no pronto-socorro com persistência da febre. Ao exame físico, encontra-se clinicamente hidratado, com hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, exantema escarlatiniforme, edema em mãos e pés. Em face desse quadro clínico, o exame complementar e o tratamento indicados são, respectivamente,
SIM-P pós-COVID (febre persistente, língua framboesa, exantema, edema, conjuntivite) → Ecocardiograma + Gamaglobulina IV.
O quadro clínico de febre persistente, língua em framboesa, linfadenite, exantema, hiperemia conjuntival e edema em mãos e pés, após um histórico de COVID-19, é altamente sugestivo de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), que compartilha características com a Doença de Kawasaki. O ecocardiograma é crucial para avaliar o envolvimento cardíaco, especialmente aneurismas coronarianos, e o tratamento padrão inclui gamaglobulina intravenosa e corticoides para modular a resposta inflamatória.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) é uma condição grave e rara que pode ocorrer em crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2, mesmo em casos assintomáticos. Ela compartilha muitas características com a Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica aguda da infância, e representa uma resposta inflamatória exacerbada. O reconhecimento precoce é vital devido ao risco de complicações cardíacas graves, incluindo aneurismas coronarianos. O quadro clínico da SIM-P é heterogêneo, mas tipicamente envolve febre persistente, sinais de inflamação sistêmica e disfunção de múltiplos órgãos. Sintomas mucocutâneos como hiperemia conjuntival não purulenta, língua em framboesa, exantema (muitas vezes escarlatiniforme) e edema de mãos e pés são comuns, mimetizando a Doença de Kawasaki. A linfadenopatia cervical também pode estar presente. O histórico de COVID-19 recente é um fator chave para a suspeita diagnóstica. O manejo da SIM-P é uma emergência pediátrica. O ecocardiograma é o exame complementar mais importante para avaliar o envolvimento cardíaco e a presença de aneurismas coronarianos. O tratamento de primeira linha consiste na administração de gamaglobulina intravenosa (IVIG) e corticoides sistêmicos, como a metilprednisolona, para modular a resposta inflamatória. A penicilina benzatina, embora útil para infecções estreptocócicas, não tem papel na SIM-P e pode atrasar o diagnóstico e tratamento corretos.
Os critérios incluem febre persistente, evidência de infecção por SARS-CoV-2 (ou exposição), e envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos, como rash, conjuntivite, linfadenopatia, edema de extremidades, sintomas gastrointestinais e evidência de inflamação laboratorial.
O ecocardiograma é fundamental para avaliar o envolvimento cardíaco, que é uma complicação grave da SIM-P e da Doença de Kawasaki. Ele permite identificar disfunção ventricular, valvulopatias e, mais importante, a formação de aneurismas das artérias coronárias, que podem ter sequelas a longo prazo.
O tratamento de primeira linha para SIM-P é a aplicação de gamaglobulina intravenosa (IVIG) em dose única, associada a corticoides sistêmicos, como metilprednisolona. Em casos refratários, podem ser considerados agentes biológicos.
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