SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2022
Luís, 10 anos, iniciou com febre há 7 dias, associada à dor de garganta, exantema eritematoso e dor abdominal. Ao exame apresentava exantema maculopapular em tronco e membros, hiperemia conjuntival, edema, hiperemia e dor a palpação dos dedos de mãos e pés. Hemograma: Hemoglobina = 12 g/dL, Leucócitos = 12700 (Linfócitos = 24%, Neutrófilos = 50%, Bastonetes = 2%), Plaquetas = 280 mil, Proteína C Reativa = 185, VHS = 46, D-dímero = 1500, PCR (reação em cadeia da polimerase) para Covid-19 não detectável, Troponina elevada, Transaminases normais, Raio-X Tórax normal, Ecografia abdominal e parcial de urina normais. No 3° dia de internamento, evoluiu com desconforto respiratório, hipoxemia, extremidades frias e taquicardia. Eletrocardiograma (ECG) com alteração da repolarização e ecocardiograma com fração de ejeção de 34%. Baseado no caso descrito assinale a alternativa CORRETA:
Febre prolongada + inflamação multissistêmica + disfunção cardíaca pós-COVID-19 = SIM-P → Pulsoterapia + Imunoglobulina.
O quadro clínico de Luís, com febre prolongada, exantema, hiperemia conjuntival, edema de extremidades, dor abdominal, marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS, D-dímero, troponina) e disfunção ventricular, é altamente sugestivo de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) pós-COVID-19. O tratamento de escolha para essa condição grave é a pulsoterapia com corticoides e imunoglobulina intravenosa.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que se manifesta em crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2, mesmo em casos assintomáticos. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória exacerbada que afeta múltiplos órgãos, sendo o envolvimento cardíaco uma preocupação central. O reconhecimento precoce é vital para o manejo e para evitar sequelas graves. O caso de Luís é clássico para SIM-P: febre prolongada, exantema, sinais de inflamação sistêmica (hiperemia conjuntival, edema de extremidades), dor abdominal, e marcadores inflamatórios muito elevados (PCR, VHS, D-dímero, troponina). A disfunção ventricular (fração de ejeção de 34%) e as alterações no ECG confirmam o grave comprometimento cardíaco, uma das manifestações mais preocupantes da SIM-P. Embora o PCR para COVID-19 seja negativo, a SIM-P é uma síndrome pós-infecciosa, e a detecção de anticorpos ou histórico de exposição seria mais relevante. O tratamento da SIM-P é agressivo e visa controlar a hiperinflamação e proteger os órgãos. A pulsoterapia com corticoides (como metilprednisolona) e a imunoglobulina intravenosa (IVIG) são a base do tratamento, com o objetivo de modular a resposta imune. Em casos de choque ou disfunção miocárdica grave, podem ser necessários inotrópicos e suporte hemodinâmico. O captopril e a milrinona não são o tratamento inicial para a inflamação sistêmica e disfunção cardíaca aguda da SIM-P. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas o acompanhamento cardiológico a longo prazo é fundamental.
Os critérios incluem febre persistente, evidência de inflamação (PCR, VHS elevados), envolvimento multissistêmico (pelo menos dois sistemas, como cardíaco, gastrointestinal, dermatológico, respiratório, neurológico, hematológico) e evidência de infecção recente por SARS-CoV-2 (PCR positivo, teste de anticorpos ou exposição). É crucial excluir outras causas.
A SIM-P é uma síndrome de hiperinflamação sistêmica. A pulsoterapia com corticoides (como metilprednisolona) atua rapidamente modulando a resposta inflamatória, enquanto a imunoglobulina intravenosa (IVIG) tem efeitos imunomoduladores e anti-inflamatórios, sendo ambos essenciais para controlar a inflamação e prevenir danos orgânicos, especialmente cardíacos.
Ambas podem apresentar febre, exantema e envolvimento cardíaco. No entanto, a SIM-P tende a afetar crianças mais velhas, ter um quadro mais grave com choque e disfunção miocárdica proeminente, e marcadores inflamatórios muito mais elevados. A SIM-P é uma condição pós-infecciosa relacionada ao SARS-CoV-2, enquanto a Kawasaki é de etiologia desconhecida.
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