Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2023
A apresentação clínica da SIM-p pode ser confundida com sepse bacteriana, que pressupõe a introdução precoce de antibioticoterapia até confirmação do diagnóstico. A esse respeito, assinale a alternativa incorreta.
SIM-p vs. Sepse: iniciar ATB empírica; antiviral não é padrão para SIM-p, exceto em COVID-19 ativo.
Em casos de suspeita de SIM-p com apresentação de choque, a antibioticoterapia empírica de amplo espectro é indicada inicialmente para cobrir a possibilidade de sepse bacteriana, devido à sobreposição clínica. No entanto, a terapia antiviral não é um tratamento padrão para SIM-p, a menos que haja evidência de infecção por COVID-19 ativa e grave, tornando a associação "antibioticoterapia + terapia antiviral" uma conduta incorreta como regra geral para SIM-p em choque.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-p) associada à COVID-19 é uma condição rara, mas grave, que afeta crianças e adolescentes, apresentando um espectro clínico que pode mimetizar outras condições graves, como a sepse bacteriana e a síndrome do choque tóxico. A rápida identificação e manejo são cruciais, mas o diagnóstico diferencial é desafiador devido à sobreposição de sintomas como febre, inflamação sistêmica e disfunção orgânica. Diante de um quadro de choque em pediatria, a sepse bacteriana é sempre uma preocupação primária e exige intervenção imediata. Por isso, a antibioticoterapia empírica de amplo espectro é uma conduta inicial mandatórias para cobrir potenciais patógenos bacterianos, mesmo quando há suspeita de SIM-p. A clindamicina, por exemplo, é considerada em casos que se assemelham à síndrome do choque tóxico, devido à sua capacidade de inibir a produção de toxinas bacterianas. A terapia antiviral, por outro lado, não é um componente padrão do tratamento da SIM-p, a menos que haja uma infecção ativa e grave por SARS-CoV-2 que justifique seu uso. A suspensão da antibioticoterapia deve ocorrer apenas após a estabilização clínica e a confirmação diagnóstica da SIM-p, com exclusão de infecção bacteriana, para evitar o uso desnecessário de antimicrobianos e o risco de resistência. O tratamento da SIM-p foca na modulação da resposta inflamatória, geralmente com imunoglobulina intravenosa e corticosteroides.
Os critérios incluem febre persistente, evidência de inflamação, disfunção de múltiplos órgãos, evidência de infecção por SARS-CoV-2 (ou exposição), e exclusão de outras causas infecciosas ou inflamatórias.
Devido à grande sobreposição clínica entre SIM-p e sepse bacteriana, a antibioticoterapia de amplo espectro é iniciada empiricamente para cobrir a possibilidade de uma infecção bacteriana grave, que requer tratamento imediato.
A antibioticoterapia pode ser suspensa após a estabilização clínica do paciente, melhora dos marcadores inflamatórios e, principalmente, após a exclusão de uma infecção bacteriana grave por meio de culturas negativas e outros exames complementares.
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