HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025
Adolescente, sexo masculino, 13 anos, com febre há 6 dias, associada à irritabilidade, dor abdominal e diarreia aquosa nos últimos 3 dias, além de erupção cutânea escarlatiniforme e eritema labial. O adolescente foi internado e, cerca de 12 horas após admissão, evoluiu com choque cardiogênico, edema em face, extremidades e parede abdominal com rebaixamento do fígado. Os exames revelam hemograma com leucocitose e neutrofilia, sem alteração dos eritrócitos ou das plaquetas. VHS 60 mm/h, PCR 120 mg/dL, troponina 17 397 ng/mL, ferritina 1 956 mcg/L, D-dímero 1045 ng/mL, fibrinogênio 475 mg/dL. Sorologia para dengue IgM (-) e IgG (+), para SarsCov-2, IgM (-) e IgG (+), com RT-PCR para Sars-Cov-2 (-). Tomografia de tórax normal. Ecocardiograma com importante disfunção de ventrículo esquerdo e discreto derrame pericárdico, sem alterações na morfologia das artérias coronárias para a idade. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Adolescente com febre prolongada, choque, disfunção cardíaca e inflamação sistêmica pós-COVID → SIM-P (MIS-C).
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P ou MIS-C) é uma condição grave que ocorre semanas após a infecção por SARS-CoV-2, caracterizada por febre persistente, inflamação sistêmica e disfunção de múltiplos órgãos, incluindo o coração, mesmo com RT-PCR negativo atual.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que afeta crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória exacerbada que leva à disfunção de múltiplos órgãos, incluindo o coração, sistema gastrointestinal, pele e sistema nervoso. Sua epidemiologia surgiu durante a pandemia de COVID-19, sendo crucial o reconhecimento precoce para um manejo adequado. A fisiopatologia da SIM-P envolve uma resposta imune desregulada pós-viral, com liberação de citocinas pró-inflamatórias, levando a vasculite e danos teciduais. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos e laboratoriais: febre persistente, evidência de inflamação sistêmica (VHS, PCR, ferritina, D-dímero elevados), disfunção de pelo menos dois órgãos e evidência de infecção prévia por SARS-CoV-2 (geralmente por sorologia IgG positiva, mesmo com RT-PCR negativo atual). A suspeita deve ser alta em pacientes com febre prolongada, rash, dor abdominal, vômitos, diarreia e, principalmente, sinais de choque ou disfunção cardíaca. O tratamento da SIM-P é de suporte intensivo, com foco na modulação da resposta inflamatória e no manejo da disfunção orgânica. Imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides são as terapias de primeira linha, podendo ser associados a agentes biológicos em casos refratários. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce, mas a disfunção cardíaca pode ser uma complicação grave. Para residentes, é vital estar atento a este diagnóstico diferencial em pacientes pediátricos com febre e inflamação multissistêmica, especialmente no contexto pós-pandêmico, para garantir intervenções rápidas e eficazes.
Os critérios incluem febre persistente (>3 dias), evidência de inflamação sistêmica (PCR, VHS, D-dímero, ferritina elevados), envolvimento de múltiplos órgãos (cardíaco, gastrointestinal, cutâneo-mucoso, respiratório, neurológico), ausência de outra causa microbiana e evidência de infecção recente ou exposição ao SARS-CoV-2 (RT-PCR positivo, sorologia IgG positiva ou contato com caso confirmado).
A disfunção cardíaca é uma das manifestações mais graves da SIM-P, podendo levar a choque cardiogênico, miocardite, disfunção ventricular esquerda e derrame pericárdico. A elevação de troponina é um marcador importante de lesão miocárdica e indica a necessidade de monitorização e tratamento intensivo.
A SIM-P se diferencia pela combinação de febre prolongada, inflamação sistêmica acentuada, disfunção multissistêmica (especialmente cardíaca) e evidência de infecção prévia por SARS-CoV-2. O diagnóstico diferencial inclui sepse, doença de Kawasaki, síndrome do choque tóxico e outras doenças autoimunes, sendo crucial a avaliação cuidadosa dos marcadores inflamatórios e sorologias.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo