SIM-P (MIS-C) em Pediatria: Diagnóstico e Achados Clínicos

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 3 anos de idade, avaliado em pronto atendimento com febre baixa há 3 dias, coriza hialina, conjuntivite, tosse seca e diarreia. Nas ultimas 12 horas, a febre se tornou mais alta (máxima de 38,5 C), e a prostração e o cansaço se tornaram mais intensos. Mae se diz exausta, já que é a quinta infecção de via aérea da criança, previamente hígida nos últimos 3 meses. Durante avaliação, foi observada prostração, taquipneia (FR: 42 irpm) com uso de musculatura acessória e taquicardia (120 bpm). Além disso, notou se distensão abdominal, com dor difusa à palpação superficial e profunda, mas Blumberg negativo. O paciente apresentou sinais de conjuntivite com leve edema bipalpebral 1+/4+. A radiografia torácica mostrou aumento do infiltrado intersticial e a ultrassonografia abdominal mostrou leve hepatoesplenomegalia. Exames laboratoriais: creatinina e ureia sem anormalidades, discreta elevação de transaminases, hemoglobina 9,5 mg/dL, plaquetas 99.000/mm3, neutrófilos 16000 mm3 com predomínio de neutrófilos, Sob observação, o quadro evoluiu com nova piora, febre de 39 C, hipotensão, taquidispneia, frequência respiratória de 60 irpm, saturação 88% em ar ambiente, redução do murmúrio vesicular à direita com crepitações e sibilos difusos. Com a piora do quadro, foi realizada tomografia computadorizada de tórax, que mostrou pulmão em padrão de vidro fosco, com derrame pleural bilateral (maior à direita), discreto aumento de área cardíaca. Solicitado ecocardiograma, que apontou leve aumento de câmaras cardíacas, com leve insuficiência mitral, aumento de câmaras cardíacas direita e esquerda, manutenção do desempenho sistólico ventricular, hipertensão arterial pulmonar, fração de ejeção de 64% e leve derrame pericárdico. O exame para covid 19 foi positivo para a imunoglobulina IgG e negativo para IgM. O diagnóstico foi então estabelecido como Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM P) pelo vírus SARS COV 2. Com relação ao quadro clinico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de SIM P pelo vírus SARS CoV 2 não poderia ser dado, já que a IgM foi negativa.
  2. B) A presença de manifestações cardíacas afasta o diagnóstico de SIM P pelo vírus SARS COV 2, apesar da IgG positiva.
  3. C) A presença de neutrofilia, plaquetopenia e manifestações cardiovasculares corroboram o diagnóstico de SIM P pelo vírus SARS COV 2.
  4. D) A Síndrome de Weil, forma grave da leptospirose, cursa com a tríade edema bipalpebral, pneumonite e diarreia, sendo o diagnóstico mais provável.

Pérola Clínica

SIM-P (MIS-C) → Diagnóstico = IgG SARS-CoV-2 positivo + febre persistente + inflamação multissistêmica (cardíaca, hematológica, gastrointestinal).

Resumo-Chave

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P ou MIS-C) é uma condição grave pós-infecção por SARS-CoV-2, caracterizada por febre persistente e inflamação em múltiplos órgãos, incluindo o coração, sistema gastrointestinal e hematológico. A presença de IgG positivo para SARS-CoV-2, mesmo com IgM negativo, é compatível com o diagnóstico, indicando exposição prévia ao vírus.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que pode ocorrer em crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória exacerbada que afeta múltiplos sistemas orgânicos, sendo o envolvimento cardíaco uma das preocupações mais significativas devido ao seu potencial de morbidade e mortalidade. O diagnóstico da SIM-P exige alta suspeição clínica, especialmente em pacientes com febre persistente, marcadores inflamatórios elevados e disfunção de múltiplos órgãos, com evidência de infecção prévia por SARS-CoV-2 (geralmente IgG positiva). É crucial diferenciar a SIM-P de outras condições febris e inflamatórias, como sepse ou outras síndromes de choque, para iniciar o tratamento adequado e precoce, que frequentemente envolve imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides. A monitorização contínua e o manejo multidisciplinar são essenciais para pacientes com SIM-P, dada a complexidade do quadro e o potencial de rápida deterioração. A compreensão dos critérios diagnósticos e das manifestações clínicas, incluindo achados laboratoriais como neutrofilia e trombocitopenia, é fundamental para o residente em pediatria e emergência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para SIM-P (MIS-C)?

Os critérios incluem febre persistente, evidência de inflamação (PCR, VHS elevados), disfunção em múltiplos órgãos (cardíaca, gastrointestinal, dermatológica, respiratória, neurológica, hematológica) e evidência de infecção recente por SARS-CoV-2 (IgG positiva, PCR positivo ou exposição).

Por que a IgM negativa não exclui o diagnóstico de SIM-P?

A SIM-P é uma condição pós-infecciosa, geralmente ocorrendo semanas após a infecção aguda por SARS-CoV-2. Nesses casos, a IgM pode já ter negativado, enquanto a IgG, que indica memória imunológica, permanece positiva, confirmando a exposição prévia.

Quais são as manifestações cardíacas mais comuns na SIM-P?

As manifestações cardíacas são frequentes e graves, incluindo miocardite, pericardite, insuficiência cardíaca, arritmias, aneurismas de artérias coronárias e disfunção ventricular, que podem levar a choque cardiogênico.

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