SIM-P: Diagnóstico e Manifestações Clínicas Pós-COVID

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente de 14 anos, masculino, com febre há 6 dias, associada à irritabilidade, dor abdominal e diarreia nos últimos 3 dias, além de rash cutâneo difuso do tipo escarlatiniforme e eritema labial. O paciente é conduzido à internação e, cerca de 6 horas após a admissão, evolui com choque cardiogênico, edema de face, extremidades e parede abdominal com rebaixamento do fígado. Os exames solicitados revelam hemograma com leucocitose e neutrofilia, sem alteração da série vermelha ou do número de plaquetas. VHS  65 mm/h, PCR 122 mg/dL, troponina 17.397 ng/mL, ferritina 2.956 mcg/L, D-dímero 1065 ng/mL, fibrinogênio 485 mg/dL. Sorologia para dengue IgM (-) e IgG (+), para Sars-Cov-2, IgM (-) e IgG (+), com RT-PCR para Sars-Cov-2 (-). Tomografia de tórax normal. Ecocardiograma com importante disfunção de ventrículo esquerdo, discreto derrame pericárdico, sem alterações na morfologia das artérias coronárias para a idade. Diante do quadro clínico exposto, marque a hipótese diagnóstica mais provável.

Alternativas

  1. A) Artrite Idiopática Juvenil
  2. B) Dengue Hemorrágica
  3. C) Lupus Eritematoso Sistêmico
  4. D) Síndrome Inflamatória Multissistêmica pós-COVID

Pérola Clínica

SIM-P → febre prolongada, disfunção orgânica (choque, cardíaca), marcadores inflamatórios ↑, IgG COVID+.

Resumo-Chave

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) é uma condição grave pós-infecção por Sars-Cov-2, caracterizada por febre persistente, disfunção de múltiplos órgãos e marcadores inflamatórios muito elevados, mesmo com RT-PCR negativo e IgG positivo indicando infecção prévia.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) é uma condição rara, mas grave, que se manifesta semanas após a infecção por Sars-Cov-2 em crianças e adolescentes. Sua importância clínica reside na rápida progressão para choque e disfunção de múltiplos órgãos, exigindo reconhecimento e tratamento urgentes. A epidemiologia mostra que, embora a COVID-19 seja geralmente mais branda em crianças, a SIM-P representa uma complicação tardia e potencialmente fatal. A fisiopatologia da SIM-P envolve uma resposta imune desregulada pós-viral, levando a uma inflamação sistêmica exuberante. O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos (febre persistente, sinais de disfunção orgânica), laboratoriais (elevação acentuada de marcadores inflamatórios como PCR, VHS, ferritina, D-dímero, troponina) e evidência de infecção recente por Sars-Cov-2 (geralmente IgG positivo, RT-PCR pode ser negativo). A suspeita deve ser alta em pacientes com febre prolongada e sinais de choque ou disfunção cardíaca, gastrointestinal ou cutânea. O tratamento da SIM-P é de suporte intensivo e imunomodulação, frequentemente com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides (como metilprednisolona). O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce, mas complicações cardíacas, como aneurismas coronarianos e disfunção ventricular, podem ocorrer. Residentes devem estar atentos aos sinais de alerta e à rápida deterioração clínica para iniciar a terapia adequada e evitar desfechos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para SIM-P?

Febre persistente, evidência de infecção por Sars-Cov-2 (IgG+ ou exposição), disfunção de múltiplos órgãos (choque, cardíaca, gastrointestinal, cutânea, neurológica) e marcadores inflamatórios elevados.

Como a SIM-P se diferencia da doença de Kawasaki?

Ambas podem ter febre e rash, mas a SIM-P geralmente afeta adolescentes, cursa com maior gravidade, disfunção miocárdica e choque, e está ligada ao Sars-Cov-2.

Quais exames laboratoriais são indicados na suspeita de SIM-P?

Hemograma completo, VHS, PCR, troponina, ferritina, D-dímero, fibrinogênio, sorologias para Sars-Cov-2 (IgM/IgG), RT-PCR para Sars-Cov-2, e ecocardiograma.

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