HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Menino de 10 anos foi admitido no hospital com febre até 39,5 °C, dor abdominal, vômitos e diarreia há 3 dias. Há 1 dia apresentou piora importante do estado geral, um episódio de fezes mucossanguinolentas e exantema maculopapular difuso. No exame físico, apresentava mau estado geral, pálido, anictérico, acianótico, febril (38,4 °C), taquidispneico (FR: 42 ipm) e taquicárdico (FC: 174 bpm), PA: 82 x 44 mmgHg. Ausculta pulmonar e cardíaca normais. Abdômen flácido, globoso, doloroso à palpação difusamente, descompressão brusca negativa. Otoscopia: hiperemia bilateral de membranas timpânicas. Oroscopia: língua saburrosa com petéquias no palato. Pais referem contato com um familiar que positivou para Covid-19 há duas semanas. Os exames laboratoriais mostraram: Hb: 11,3 g/dL, Ht: 32,8%, leucócitos: 20.600/mm³, plaquetas: 105.000/mm³, Dímero-D: 3,08 microg/mL, Ureia: 30 mg/dL, Creatinina: 0,5 mg/dL, PCR: 191,6 mg/L, TGO: 324 U/L e TGP: 412U/L. INR: 1,2. Entre as opções abaixo, a melhor conduta para esse paciente, além de imunoglobulina intravenosa 2g/kg, é
SIM-P (pós-COVID) com choque → Imunoglobulina IV + Corticoide (Metilprednisolona 2 mg/kg/dia) + ATB empírico (Ceftriaxona).
O quadro clínico e laboratorial do paciente é altamente sugestivo de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à COVID-19, que pode evoluir para choque. O tratamento padrão inclui imunoglobulina intravenosa e corticosteroides (metilprednisolona em dose anti-inflamatória), além de antibióticos empíricos para cobrir possível sepse bacteriana concomitante.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à COVID-19 é uma condição grave e rara que afeta crianças e adolescentes, geralmente semanas após uma infecção por SARS-CoV-2. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória sistêmica exacerbada, levando à disfunção de múltiplos órgãos e sistemas, incluindo o cardiovascular, gastrointestinal, dermatológico e respiratório. A epidemiologia mostra que, embora rara, a SIM-P pode ter desfechos graves se não for prontamente reconhecida e tratada. A fisiopatologia envolve uma desregulação imune pós-viral, com liberação de citocinas pró-inflamatórias, resultando em vasculite e dano tecidual. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com febre persistente, marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS, D-dímero), disfunção orgânica e evidência de infecção ou exposição ao SARS-CoV-2. A suspeita deve ser alta em crianças com febre, exantema, dor abdominal, vômitos, diarreia e sinais de choque, especialmente com histórico de contato com COVID-19. O tratamento da SIM-P é complexo e visa controlar a inflamação e dar suporte aos órgãos afetados. A imunoglobulina intravenosa (IVIG) e os corticosteroides (como a metilprednisolona em doses anti-inflamatórias de 1-2 mg/kg/dia) são a base da terapia imunomoduladora. Em casos de choque, como o descrito, a antibioticoterapia empírica (ex: ceftriaxona) é fundamental até que uma infecção bacteriana possa ser descartada, dada a sobreposição de sintomas com sepse. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce e adequado.
Os critérios incluem febre persistente, evidência de inflamação (PCR, VHS elevados), disfunção de múltiplos órgãos, evidência de infecção por SARS-CoV-2 (ou exposição) e exclusão de outras causas.
A IVIG atua como imunomodulador, ajudando a controlar a resposta inflamatória sistêmica exacerbada que caracteriza a SIM-P, reduzindo a disfunção orgânica e o risco de complicações cardíacas.
A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada em pacientes com SIM-P que apresentam sinais de choque ou sepse, pois a diferenciação inicial entre SIM-P e sepse bacteriana pode ser desafiadora e a coinfecção é possível.
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