UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2021
Criança de 7 anos, sexo masculino, atendido em UPA, com quadro de febre há 7 dias, associada a cefaleia, vômitos, fotofobia e dor abdominal intensa. Ao exame físico, apresenta hiperemia conjuntival não purulenta, exantema maculopapular, sinais de inflamação mucocutânea (língua em framboesa, hiperemia labial com descamação), marcadores laboratoriais inflamatórios alterados, incluindo VHS, proteína C reativa, D - Dímero e Ferritina. Apresenta ainda linfadenomegalia cervical à direita. Realizou mielograma que não evidenciou alteração. Provas sorologia para TORCHS não reagentes. Mãe destaca que a criança teve COVID-19 há 2 meses, tendo RT-PCR SARVCoV-2 não detectável e sorologia para SARV-CoV-2 positivo. Com base no caso clínico, selecione a opção CORRETA para a hipótese diagnóstica do caso:
Febre prolongada + inflamação multissistêmica + histórico COVID-19 recente = PIMS-TS (MIS-C).
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (PIMS-TS ou MIS-C) é uma condição grave pós-COVID-19, caracterizada por febre persistente, inflamação multissistêmica e marcadores inflamatórios elevados, mimetizando doenças como Kawasaki, mas com envolvimento mais sistêmico.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (PIMS-TS), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que afeta crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória desregulada que pode levar à disfunção de múltiplos órgãos. Sua importância clínica reside na potencial gravidade e na necessidade de reconhecimento rápido para intervenção. A fisiopatologia envolve uma resposta imune tardia e exacerbada ao vírus, resultando em uma tempestade de citocinas e inflamação sistêmica. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com febre persistente, evidência de inflamação (VHS, PCR, D-dímero, ferritina elevados) e envolvimento de pelo menos dois sistemas orgânicos, além de evidência de infecção prévia por SARS-CoV-2 (sorologia positiva ou RT-PCR prévio). As manifestações podem mimetizar a Doença de Kawasaki, sepse ou choque tóxico, mas a história de COVID-19 e o perfil inflamatório ajudam a diferenciá-la. O tratamento é primariamente imunomodulador, com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides sendo as terapias de primeira linha. Em casos refratários ou mais graves, podem ser utilizados agentes biológicos como inibidores de IL-1 (anakinra) ou IL-6. O suporte hemodinâmico e a monitorização cardíaca são essenciais, dada a alta incidência de disfunção miocárdica e aneurismas coronarianos. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce e adequado, mas complicações cardíacas podem ocorrer.
Os critérios incluem idade <21 anos, febre >24h, evidência laboratorial de inflamação, envolvimento de ≥2 sistemas orgânicos (cardíaco, renal, respiratório, gastrointestinal, neurológico, dermatológico/mucocutâneo) e evidência de infecção recente ou exposição ao SARS-CoV-2.
As manifestações são variadas e incluem febre persistente, dor abdominal, vômitos, diarreia, exantema, conjuntivite, linfadenopatia, sinais de choque e disfunção cardíaca, além de marcadores inflamatórios muito elevados.
O tratamento envolve imunomodulação com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides, além de suporte hemodinâmico e monitorização intensiva, especialmente da função cardíaca.
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