UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023
Escolar de 8 anos, sexo masculino, previamente hígido, deu entrada na Unidade de Pronto- atendimento acompanhado do tio relatando que há 6 dias vem apresentando piora progressiva do estado geral, febre persistente (>38,5ºC), conjuntivite não purulenta, “rash” cutâneo, dor abdominal, náuseas e vômitos. Relata que toda a família, inclusive ele, teve sintomas respiratórios há mais ou menos 4 semanas, confirmando COVID-19 em todos. Na ocasião, o menor teve apenas sintomas gripais leves, sem complicações. Quando perguntado ao tio sobre esquema vacinal, não soube informar sobre o calendário básico, mas referiu ter recebido há 1 mês 1 dose da vacina contra o SARS CoV 2. A respeito deste caso, é correto afirmar que:
PIMS/MIS-C = Febre persistente + inflamação multissistêmica + infecção prévia SARS-CoV-2.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (PIMS/MIS-C) é uma condição grave pós-COVID-19 em crianças, caracterizada por febre persistente e envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos, como rash, conjuntivite, sintomas gastrointestinais e evidência de infecção prévia por SARS-CoV-2. A vacinação não exclui o diagnóstico, e a triagem de disfunções orgânicas é crucial.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (PIMS), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que se desenvolve em crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2, mesmo que a infecção inicial tenha sido assintomática ou leve. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória desregulada que afeta múltiplos sistemas orgânicos, sendo crucial o reconhecimento precoce para um manejo adequado. Os critérios diagnósticos para PIMS/MIS-C incluem febre persistente (>38,0°C por pelo menos 24 horas), evidência laboratorial de inflamação (ex: PCR, VHS elevados), envolvimento de pelo menos dois sistemas orgânicos (cardíaco, renal, respiratório, gastrointestinal, hematológico, neurológico, dermatológico) e evidência de infecção recente por SARS-CoV-2 (PCR positivo, teste de antígeno positivo, ou sorologia positiva para anticorpos). A ausência de outra causa microbiana para a inflamação também é um critério importante. O manejo da PIMS/MIS-C é complexo e geralmente requer internação em UTI pediátrica. O tratamento visa controlar a inflamação e dar suporte às disfunções orgânicas. Imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides são as terapias de primeira linha. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce e agressivo, mas complicações cardíacas podem ocorrer. A conscientização sobre esta síndrome é vital para pediatras e emergencistas, especialmente em um cenário pós-pandêmico.
Os critérios incluem febre persistente, evidência laboratorial de inflamação, envolvimento de múltiplos sistemas orgânicos (pelo menos dois) e evidência de infecção recente ou exposição ao SARS-CoV-2.
Embora a vacinação reduza o risco de COVID-19 grave e, consequentemente, de PIMS/MIS-C, ela não a exclui completamente. Casos podem ocorrer em indivíduos vacinados, embora sejam mais raros.
A PIMS/MIS-C pode afetar múltiplos órgãos, incluindo coração, rins, pulmões e sistema gastrointestinal. A triagem cuidadosa é vital para identificar e manejar precocemente as disfunções, prevenindo complicações graves e melhorando o prognóstico.
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