MIS-C em Crianças: Diagnóstico e Exames para Estabilização

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 7 anos, previamente hígido, apresentando febre diária há 7 dias, prostração, dor abdominal, vômitos e dificuldade para respirar. Passou em atendimento médico há 3 dias e, após realização do exame de imagem, recebeu alta com prescrição de amoxicilina 50 mg/kg/dia por 7 dias. Segue com manutenção dos sintomas e queixa-se de diminuição da diurese. Ao exame clínico, REG, pálido, mucosas secas, FC 165 bpm, FR 40 irpm, saturação 93% em ar ambiente, PA 100x50 mmHg, ausculta pulmonar diminuída em base esquerda com crepitações bilaterais, tiragem subdiafragmática e intercostal.Exames iniciais apresentados. Para definir as medidas de estabilização a serem instituídas para este paciente no momento, qual(is) exame(s) deve(m) ser acrescentado(s)?

Alternativas

  1. A) Contagem celular diferencial e cultura de líquido pleural. 
  2. B) Pesquisa de esquizócitos em sangue periférico. 
  3. C) Lactato desidrogenase, fósforo e ácido úrico séricos. 
  4. D) Teste rápido molecular para micobactéria.

Pérola Clínica

Criança com febre prolongada, sintomas multissistêmicos, sinais de choque/IRA → suspeitar MIS-C; exames: LDH, fósforo, ácido úrico para avaliar gravidade e disfunção orgânica.

Resumo-Chave

O quadro clínico da criança (febre prolongada, sintomas multissistêmicos, sinais de choque e insuficiência renal aguda) é altamente sugestivo de Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (MIS-C), uma condição grave associada à COVID-19. Para avaliar a gravidade da disfunção orgânica e guiar as medidas de estabilização, são essenciais exames como lactato desidrogenase (LDH), fósforo e ácido úrico séricos, que indicam lesão celular e disfunção renal.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (MIS-C), também conhecida como PIMS-TS (Pediatric Inflammatory Multisystem Syndrome Temporally associated with SARS-CoV-2), é uma condição rara, mas grave, que afeta crianças e adolescentes após infecção por SARS-CoV-2. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória exacerbada que pode levar à disfunção de múltiplos órgãos, incluindo o coração, rins, trato gastrointestinal e sistema respiratório. O quadro clínico pode mimetizar outras condições, como a doença de Kawasaki ou choque séptico, tornando o diagnóstico desafiador. O paciente do enunciado apresenta um quadro clássico de MIS-C: febre prolongada, sintomas gastrointestinais (dor abdominal, vômitos), sinais de disfunção respiratória e, crucialmente, sinais de choque (taquicardia, taquipneia, hipoperfusão, diminuição da diurese, palidez, mucosas secas) e possível insuficiência renal aguda. A falha da antibioticoterapia empírica sugere uma etiologia não bacteriana comum. Para a estabilização e manejo, é fundamental avaliar a extensão da disfunção orgânica. Exames como lactato desidrogenase (LDH) indicam lesão celular e inflamação sistêmica. O fósforo e o ácido úrico séricos são marcadores importantes da função renal e podem estar alterados em quadros de lesão renal aguda, que é uma complicação comum no choque e na MIS-C. Outros exames como PCR, procalcitonina, troponina, BNP, eletrólitos, gasometria e coagulograma também seriam essenciais para uma avaliação completa e direcionamento terapêutico, que geralmente inclui imunoglobulina intravenosa e corticosteroides.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para MIS-C?

Os critérios para MIS-C incluem febre persistente, evidência laboratorial de inflamação, envolvimento de múltiplos órgãos (dois ou mais), ausência de outro diagnóstico plausível e evidência de infecção por SARS-CoV-2 (ou exposição).

Por que LDH, fósforo e ácido úrico são importantes na avaliação de MIS-C?

LDH é um marcador de lesão tecidual e inflamação. Fósforo e ácido úrico são importantes para avaliar a função renal e a síndrome de lise tumoral (embora menos comum aqui, a disfunção renal é relevante), indicando a extensão da disfunção orgânica e a gravidade do choque.

Qual a conduta inicial em um paciente pediátrico com suspeita de MIS-C e sinais de choque?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos, suporte respiratório, monitorização intensiva e início de terapia imunomoduladora (imunoglobulina intravenosa e/ou corticosteroides), além de investigação diagnóstica completa.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo