SIM-P Pós-COVID-19: Diagnóstico e Sinais Chave

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino de 8 anos apresenta há 3 dias dor abdominal, em cólica, com piora associada a 2 episódios de diarreia e febre persistente. Hoje, apareceram placas eritematosas em tronco, pescoço e membros, não pruriginosas e evoluiu com queda do estado geral, sonolência e apatia. AP: asmático e teve covid-19 há 1 mês. Exame físico: REG, sonolento, FC 130 bpm, FR 22 irpm, PA 75/40 mmHg, temperatura axilar 38,9 ºC; pulsos finos e tempo de enchimento capilar 4 segundos. Hiperemia ocular. Dor difusa no abdome, sem sinais de reação peritoneal. Exames laboratoriais: linfopenia, trombocitopenia e neutrofilia, VHS e PCR aumentados. A hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) dengue.
  2. B) síndrome inflamatória multissistêmica associada à covid-19.
  3. C) síndrome de ativação macrofágica.
  4. D) meningococcemia.

Pérola Clínica

Febre persistente, rash, dor abdominal, choque e história de COVID-19 recente em criança → SIM-P (MIS-C).

Resumo-Chave

A SIM-P é uma condição grave pós-COVID-19 em crianças, caracterizada por inflamação multissistêmica. A suspeita é crucial em pacientes com febre persistente, disfunção orgânica e marcadores inflamatórios elevados após infecção por SARS-CoV-2.

Contexto Educacional

A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que afeta crianças e adolescentes semanas após a infecção por SARS-CoV-2. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória desregulada que pode levar à disfunção de múltiplos órgãos, incluindo coração, pulmões, rins, cérebro, pele e trato gastrointestinal. A epidemiologia mostra que, embora a COVID-19 seja geralmente mais branda em crianças, uma pequena porcentagem pode desenvolver SIM-P, com maior incidência em escolares e adolescentes. A fisiopatologia envolve uma resposta imune tardia e exacerbada ao vírus, resultando em vasculite e dano tecidual. O diagnóstico é clínico e laboratorial, exigindo alta suspeição em crianças com febre persistente, sinais de choque, rash cutâneo, dor abdominal intensa, conjuntivite e marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS, procalcitonina, D-dímero), além de linfopenia e trombocitopenia. A história de COVID-19 recente, mesmo assintomática, é um fator crucial. O tratamento da SIM-P é de suporte e imunomodulador, visando controlar a inflamação e prevenir danos orgânicos. Imunoglobulina intravenosa (IVIG) e corticosteroides são as terapias de primeira linha, com agentes biológicos como inibidores de IL-1 ou IL-6 considerados em casos refratários. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce, mas complicações cardíacas, como aneurismas de artérias coronárias e disfunção miocárdica, exigem monitoramento a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para SIM-P?

Os critérios incluem febre persistente, evidência laboratorial de inflamação, disfunção de múltiplos órgãos e evidência de infecção por SARS-CoV-2 ou exposição.

Como diferenciar SIM-P de Doença de Kawasaki?

SIM-P pode ter características de Kawasaki, mas geralmente afeta crianças mais velhas, com maior gravidade e disfunção miocárdica proeminente, além da associação com COVID-19.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de SIM-P?

A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica, suporte orgânico e tratamento imunomodulador com imunoglobulina intravenosa (IVIG) e/ou corticosteroides.

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