Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022
Criança de 7 anos de idade comparece ao pronto atendimento acompanhada da mãe com relato de febre de nove dias de evolução. Concomitantemente iniciou quadro de exantema maculopapular difuso, dor abdominal, diarreia e vômitos. Mãe já havia levado a criança ao pediatra e foram liberadas para casa com sintomáticos e soro oral. Diante da persistência da febre, retornam à unidade. Quando perguntada sobre contato com doentes, a mãe refere que, há 60 dias, ela e o pai apresentaram RT PCR SARS CoV 2 positivos, mas a criança não fora testada, pois encontrava-se assintomática.Sobre esse caso, assinale a alternativa correta.
Febre > 3 dias + Exantema + Sintomas GI + Histórico COVID-19 recente → Suspeitar de SIM-C (MIS-C) → Investigar inflamação e função cardíaca.
O quadro de febre prolongada, exantema, sintomas gastrointestinais e histórico de contato com COVID-19 em pais, mesmo que a criança tenha sido assintomática, é altamente sugestivo de Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Crianças (SIM-C/MIS-C), uma complicação pós-infecciosa do SARS-CoV-2.
A Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Crianças (SIM-C), também conhecida como MIS-C (Multisystem Inflammatory Syndrome in Children), é uma condição rara, mas grave, que se manifesta semanas após a infecção por SARS-CoV-2. Caracteriza-se por uma resposta inflamatória exacerbada que afeta múltiplos órgãos e sistemas. Sua epidemiologia surgiu durante a pandemia de COVID-19, e é crucial que residentes estejam cientes de sua apresentação e manejo. A fisiopatologia da SIM-C envolve uma desregulação imune pós-viral, onde o sistema imunológico reage de forma excessiva ao vírus, levando a uma inflamação sistêmica. Os sintomas são variados e podem incluir febre prolongada, exantema, conjuntivite, linfadenopatia, sintomas gastrointestinais (dor abdominal, diarreia, vômitos), e disfunção cardíaca (miocardite, choque). O diagnóstico requer a exclusão de outras causas infecciosas e a presença de marcadores inflamatórios elevados (PCR, VHS, procalcitonina, D-dímero, ferritina). O tratamento da SIM-C é de suporte e visa controlar a inflamação e as disfunções orgânicas. Inclui imunoglobulina intravenosa (IVIG), corticosteroides e, em casos graves, agentes biológicos. O ecocardiograma é essencial para monitorar a função cardíaca e detectar aneurismas coronarianos, uma complicação grave. Para residentes, a alta suspeição clínica, a investigação laboratorial e de imagem adequadas, e o início precoce do tratamento são fundamentais para reduzir a morbimortalidade associada a essa síndrome.
Os critérios incluem febre persistente (geralmente >3 dias), evidência de inflamação multissistêmica (exantema, hipotensão, disfunção cardíaca, coagulopatia, sintomas gastrointestinais), marcadores inflamatórios elevados e evidência de infecção recente por SARS-CoV-2 ou exposição.
O ecocardiograma é crucial para avaliar a função cardíaca e identificar possíveis complicações, como miocardite, derrame pericárdico, disfunção ventricular ou aneurismas de artérias coronárias, que são achados comuns e graves na SIM-C e podem ter sequelas a longo prazo.
A SIM-C é uma complicação pós-infecciosa do SARS-CoV-2, geralmente ocorrendo semanas após a infecção inicial. Muitas crianças que desenvolvem SIM-C tiveram uma infecção primária assintomática ou leve, tornando o histórico de exposição familiar um dado epidemiológico importante.
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