SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Uma paciente de 50 anos de idade, diabética, tabagista e hipertensa, procura atendimento médico por desvio da rima labial, hemiparesia direita e afasia de início há duas horas. Evoluiu com rebaixamento de sensório e necessidade de entubação orotraqueal. Na chegada à emergência, foi encaminhada à tomografia de crânio, que evidenciou acidente vascular encefálico isquêmico acometendo mais que 1/2 do território cerebral. Em relação a esse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Essa paciente possui alto risco de síndrome de imobilidade, que ocorre em pacientes acamados por períodos prolongados, sendo a hipercalcemia e reabsorção óssea achados frequentes.
AVE grave com imobilidade prolongada → alto risco de síndrome de imobilidade, incluindo hipercalcemia e reabsorção óssea.
Pacientes com Acidente Vascular Encefálico (AVE) extenso e rebaixamento de sensório frequentemente necessitam de intubação e imobilização prolongada. Essa condição os predispõe a uma série de complicações da síndrome de imobilidade, como hipercalcemia e reabsorção óssea, além de úlceras de pressão, trombose venosa profunda e infecções.
A síndrome de imobilidade é um conjunto de alterações fisiológicas e patológicas que ocorrem em pacientes acamados por longos períodos, comum em casos de Acidente Vascular Encefálico (AVE) grave, trauma ou outras condições que limitem a mobilidade. Essa síndrome afeta múltiplos sistemas orgânicos e é uma causa significativa de morbidade e mortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. O reconhecimento e manejo proativo são fundamentais na prática clínica. Fisiologicamente, a imobilidade leva à perda de massa muscular (sarcopenia), descondicionamento cardiovascular, alterações respiratórias (atelectasias, pneumonia), gastrointestinais (constipação), urinárias (infecções, litíase) e dermatológicas (úlceras de pressão). No sistema ósseo, a ausência de carga mecânica sobre os ossos diminui a formação óssea pelos osteoblastos e aumenta a reabsorção óssea pelos osteoclastos. Isso resulta em osteopenia e, consequentemente, liberação de cálcio para a circulação, levando à hipercalcemia de imobilização. O manejo da síndrome de imobilidade envolve uma abordagem multidisciplinar com foco na prevenção. Isso inclui mobilização precoce e fisioterapia, posicionamento adequado para prevenir úlceras de pressão e contraturas, hidratação e nutrição adequadas, profilaxia para trombose venosa profunda e embolia pulmonar, e monitoramento de eletrólitos para detectar hipercalcemia. A educação da equipe e dos familiares é essencial para garantir a continuidade dos cuidados e melhorar o prognóstico do paciente.
A síndrome de imobilidade se manifesta por atrofia muscular, fraqueza, contraturas articulares, úlceras de pressão, trombose venosa profunda, pneumonia por aspiração, infecções urinárias, constipação, e alterações metabólicas como hipercalcemia e osteopenia.
A imobilidade prolongada leva à falta de estresse mecânico sobre os ossos, o que diminui a atividade osteoblástica e aumenta a atividade osteoclástica. Isso resulta em reabsorção óssea acelerada e liberação de cálcio para a corrente sanguínea, causando hipercalcemia.
A prevenção envolve mobilização precoce (se possível), fisioterapia, mudança de decúbito regular, hidratação adequada, nutrição balanceada, profilaxia para trombose venosa profunda (heparina de baixo peso molecular e compressão pneumática intermitente) e cuidados com a pele para prevenir úlceras de pressão.
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