CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Onde é a localização da lesão de um paciente com síndrome de Horner à esquerda e paralisia do sexto nervo craniano à esquerda?
Horner + Paralisia de VI par ipsilateral → Localização obrigatória no Seio Cavernoso.
A associação de Horner (lesão simpática) com paralisia do nervo abducente (VI par) localiza a lesão no seio cavernoso, onde as fibras simpáticas pós-ganglionares viajam brevemente com o VI par.
A neuro-oftalmologia baseia-se fortemente na anatomia topográfica. A Síndrome de Horner é um exemplo clássico onde a constelação de sinais permite localizar a lesão desde o hipotálamo até a órbita. A associação com o VI par é um 'red flag' para patologias graves no seio cavernoso, exigindo neuroimagem urgente (RM ou angio-RM) para excluir aneurismas, tumores ou tromboses venosas.
No seio cavernoso, as fibras simpáticas pós-ganglionares (terceira ordem), que subiram pelo plexo carotídeo, deixam a artéria carótida interna e viajam brevemente junto ao nervo abducente (VI par) antes de seguirem para o nervo oftálmico (V1). Portanto, um processo expansivo, inflamatório ou vascular (como uma fístula carótido-cavernosa ou um aneurisma) dentro do seio cavernoso pode comprimir simultaneamente o VI par e as fibras simpáticas, resultando em déficit de abdução ocular associado a miose e ptose ipsilaterais.
O Horner originado no seio cavernoso frequentemente vem acompanhado de outras neuropatias cranianas (III, IV, VI ou ramos do V nervo). Já o Horner por dissecção da artéria carótida interna costuma ser isolado ou associado a dor cervical e cefaleia ipsilateral, sem paralisias de nervos oculomotores, a menos que a dissecção se estenda para o segmento intracraniano próximo ao seio cavernoso. A presença de paralisia do VI par é o 'sinal localizador' clássico para o seio cavernoso neste contexto.
A tríade clássica consiste em ptose palpebral superior (por paralisia do músculo de Müller), miose (por paralisia do dilatador da pupila) e anidrose facial. No entanto, em lesões pós-ganglionares (como no seio cavernoso), a anidrose geralmente está ausente ou limitada a uma pequena área da testa, pois as fibras sudoríparas da face seguem a artéria carótida externa, separando-se das fibras oculares que seguem a carótida interna.
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