CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2025
Paciente de 70 anos, sexo feminino, com histórico de ressecção de tumor cervical à esquerda há dois meses. Diante da história clínica e da localização mais provável da lesão da paciente pela imagem abaixo, podemos afirmar:
Anisocoria que aumenta no escuro → Defeito na dilatação (Simpático) → Síndrome de Horner.
A Síndrome de Horner resulta de uma lesão na via simpática; a anisocoria é mais evidente no escuro porque a pupila afetada não consegue dilatar.
A Síndrome de Horner é uma paralisia óculo-simpática que pode ocorrer por lesões em qualquer ponto da via de três neurônios: do hipotálamo à medula (1º), da medula ao gânglio cervical superior (2º) ou do gânglio ao olho (3º). No contexto de ressecção de tumor cervical, a lesão do segundo neurônio (pré-ganglionar) é comum. O sinal clínico cardeal é a anisocoria que se acentua em condições de baixa luminosidade. A ptose associada é discreta (1-2mm), pois o músculo levantador da pálpebra (inervado pelo III par) está íntegro, estando afetado apenas o músculo de Müller (simpático). A investigação etiológica é mandatória, pois pode revelar desde causas benignas pós-cirúrgicas até patologias graves como dissecção de carótida ou tumores de ápice pulmonar (Pancoast).
A via simpática é responsável pela midríase (dilatação pupilar). Em um ambiente escuro, o estímulo fisiológico é para que ambas as pupilas dilatem. Na Síndrome de Horner, a pupila do lado afetado apresenta um déficit de inervação simpática, falhando em dilatar ou dilatando muito lentamente (fenômeno de 'dilation lag'). Enquanto isso, a pupila normal dilata plenamente, o que aumenta a diferença de tamanho entre elas (anisocoria) em comparação com a avaliação na claridade.
A tríade clássica consiste em míose (pupila menor), ptose palpebral (devido à paralisia do músculo tarsal superior de Müller) e anidrose (ausência de suor) ipsilateral à lesão. A anidrose pode ajudar na localização: lesões centrais ou pré-ganglionares (1º e 2º neurônios) costumam cursar com anidrose facial, enquanto lesões pós-ganglionares (3º neurônio, após o gânglio cervical superior) geralmente não apresentam anidrose ou esta é muito limitada.
Testes farmacológicos são usados para confirmar Horner e localizar a lesão. O colírio de cocaína (histórico) ou apraclonidina confirma a síndrome. Para localização, usa-se a hidroxianfetamina: se a pupila dilatar, a lesão é pré-ganglionar (1º ou 2º neurônio); se não dilatar, a lesão é pós-ganglionar (3º neurônio). O colírio de pilocarpina a 0,125% mencionado na alternativa é usado para diagnosticar a Pupila de Adie, não Horner.
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