HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Homem, 60 anos de idade, queixa-se de tosse seca há seis meses. Comparece acompanhado pela esposa que está preocupada pois, nas últimas semanas, notou que o marido apresenta discreta ptose palpebral à direita e discreta perda de força da mão direita. O paciente tem hipertensão arterial e hiperuricemia e faz uso de enalapril e alopurinol. Tabagista 60 anos-maço. Sinais vitais normais e Sat. O2 97% (ar ambiente). Ao exame físico, confirma-se ptose palpebral e miose à direita, sem desvio da comissura labial; o reflexo fotomotor encontra-se preservado bilateralmente; a força da mão direita encontra-se discretamente diminuída. O restante do exame físico encontra-se dentro da normalidade. Em relação ao caso apresentado, qual dos exames complementares esclarecerá os sintomas neurológicos?
Tosse crônica + tabagismo + Síndrome de Horner + fraqueza em MMSS → Suspeitar de Tumor de Pancoast; TC de tórax é essencial.
A combinação de tosse crônica em um tabagista com sinais neurológicos como ptose e miose (Síndrome de Horner) e fraqueza em membro superior ipsilateral é altamente sugestiva de um Tumor de Pancoast. Este tumor, localizado no ápice pulmonar, pode invadir a cadeia simpática e o plexo braquial, justificando a necessidade de uma TC de tórax para investigação.
O Tumor de Pancoast, ou tumor do sulco superior, é um tipo de câncer de pulmão não pequenas células que se desenvolve no ápice pulmonar e invade estruturas adjacentes. Sua importância clínica reside na apresentação atípica, que frequentemente mimetiza condições neurológicas ou musculoesqueléticas, atrasando o diagnóstico. É fortemente associado ao tabagismo. A fisiopatologia dos sintomas neurológicos decorre da invasão local do tumor. A Síndrome de Horner (ptose, miose, anidrose) ocorre pela compressão ou destruição da cadeia simpática cervical. A dor e fraqueza no membro superior ipsilateral resultam da invasão do plexo braquial. A tosse crônica é um sintoma pulmonar comum em tabagistas e pode ser um sinal inicial de câncer. Diante da suspeita de Tumor de Pancoast, a Tomografia Computadorizada (TC) de tórax é o exame de escolha para visualizar a massa apical, avaliar sua extensão e a invasão de estruturas vizinhas. O diagnóstico precoce é crucial para o planejamento terapêutico, que pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, visando melhorar o prognóstico.
A Síndrome de Horner é caracterizada pela tríade de ptose palpebral (queda da pálpebra), miose (constrição da pupila) e anidrose (ausência de suor) facial, todas ipsilaterais à lesão da via simpática.
O Tumor de Pancoast, localizado no ápice pulmonar, pode invadir estruturas adjacentes como a cadeia simpática cervical (causando Síndrome de Horner) e o plexo braquial (levando a dor e fraqueza no membro superior).
A história de tabagismo intenso (60 anos-maço) é um fator de risco significativo para câncer de pulmão, incluindo o Tumor de Pancoast, tornando a investigação pulmonar prioritária diante dos sintomas apresentados.
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