Síndrome de Horner: Sinais, Causas e Diagnóstico

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2023

Enunciado

Homem de 70 anos, tabagista de longa data, procurou o ambulatório queixando-se de tosse e perda ponderal com evolução de alguns meses. Refere que há alguns dias passou a ter dificuldade de a rir o olho direito e “sensação estranha no rosto”. O exame físico revela roncos pulmonares em ambas as bases, ptose palpebral e miose direitas e uma anidrose facial do mesmo lado. Um raio X de tórax demonstrou opacidade de ápice pulmonar direito. O quadro clínico descrito é compatível com:

Alternativas

  1. A) Síndrome de Klatskin.
  2. B) Síndrome de Ogilvie.
  3. C) Síndrome de May-Thurner.
  4. D) Síndrome de Horner.
  5. E) Síndrome de Leriche.

Pérola Clínica

Ptose + Miose + Anidrose ipsilateral → Síndrome de Horner, frequentemente por lesão apical pulmonar.

Resumo-Chave

A tríade clássica da Síndrome de Horner (ptose, miose e anidrose ipsilateral) indica uma lesão na via simpática ocular. Em tabagistas com sintomas pulmonares e opacidade apical, um tumor de Pancoast é a principal suspeita, comprimindo essa via.

Contexto Educacional

A Síndrome de Horner é uma condição neurológica causada pela interrupção da via simpática que inerva o olho e a face. Sua tríade clássica consiste em ptose palpebral (queda da pálpebra superior), miose (constrição pupilar) e anidrose facial (ausência de suor) no lado ipsilateral à lesão. É uma síndrome de extrema importância clínica, pois pode ser um sinal de doenças graves subjacentes, como neoplasias. A via simpática ocular é complexa, com neurônios de primeira ordem no hipotálamo, segunda ordem na medula espinhal (C8-T1) e terceira ordem no gânglio cervical superior. Lesões em qualquer ponto dessa via podem causar a síndrome. Em pacientes tabagistas com tosse, perda ponderal e opacidade apical pulmonar, a Síndrome de Horner é altamente sugestiva de um tumor de Pancoast, um tipo de câncer de pulmão que se desenvolve no ápice pulmonar e pode invadir estruturas adjacentes, incluindo o plexo braquial e a cadeia simpática. O diagnóstico da Síndrome de Horner é primariamente clínico, mas pode ser confirmado com testes farmacológicos. A identificação da causa subjacente é crucial, exigindo uma investigação abrangente com exames de imagem (radiografia de tórax, tomografia computadorizada, ressonância magnética) do tórax, pescoço e crânio, dependendo da suspeita clínica. O reconhecimento precoce da síndrome, especialmente em contextos de risco como o tabagismo, permite a detecção e tratamento oportunos de condições potencialmente fatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos clássicos da Síndrome de Horner?

A Síndrome de Horner é caracterizada pela tríade de ptose palpebral (queda da pálpebra superior), miose (constrição da pupila) e anidrose facial (ausência de suor) no lado ipsilateral à lesão da via simpática.

Qual a relação entre Síndrome de Horner e tumor de Pancoast?

Um tumor de Pancoast, que é um tipo de câncer de pulmão localizado no ápice pulmonar, pode comprimir o gânglio estrelado ou o plexo braquial, interrompendo a via simpática e causando a Síndrome de Horner. É uma causa importante a ser investigada em pacientes com essa síndrome e história de tabagismo.

Como a Síndrome de Horner é diagnosticada e qual a importância da localização da lesão?

O diagnóstico clínico é baseado na tríade de sinais. Testes farmacológicos (ex: colírio de cocaína ou apraclonidina) podem confirmar a disfunção simpática. A localização da lesão (pré-ganglionar ou pós-ganglionar) é crucial para direcionar a investigação etiológica, que pode incluir neuroimagem do cérebro, pescoço e tórax.

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