Síndrome da Hipoplasia do Ventrículo Esquerdo: Diagnóstico Neonatal

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022

Enunciado

Recém-nascido evolui com 48 horas de vida com quadro de taquicardia, taquipnéia, pele acinzentada, palidez importante, ausculta cardíaca com 2ª. bulha única, sopro sistólico ++/VI, regurgitação em área tricúspide, pulsos globalmente diminuídos. Das cardiopatias abaixo, qual é a mais provável para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Transposição dos grandes vasos da base
  2. B) Síndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo
  3. C) Comunicação interventricular + hipertensão arterial
  4. D) Truncus arteriosus
  5. E) Persistência do canal arterial amplo

Pérola Clínica

RN com choque cardiogênico, 2ª bulha única, pulsos ↓, pele acinzentada → suspeitar SHVE (dependente do canal arterial).

Resumo-Chave

A Síndrome da Hipoplasia do Ventrículo Esquerdo (SHVE) é uma cardiopatia congênita grave onde o ventrículo esquerdo é subdesenvolvido. A sobrevida inicial depende da persistência do canal arterial para fluxo sistêmico. O fechamento do canal arterial após o nascimento leva a choque cardiogênico, com sinais como taquicardia, taquipneia, palidez, pulsos diminuídos e 2ª bulha única, devido à ausência de componente aórtico.

Contexto Educacional

A Síndrome da Hipoplasia do Ventrículo Esquerdo (SHVE) é uma cardiopatia congênita cianótica grave, caracterizada pelo subdesenvolvimento do ventrículo esquerdo e das estruturas associadas, como valva mitral, valva aórtica e aorta ascendente. É uma das cardiopatias mais desafiadoras no período neonatal, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia da SHVE é complexa, resultando em uma circulação sistêmica que é dependente do canal arterial patente. Após o nascimento, com o fechamento fisiológico do canal arterial, o recém-nascido rapidamente entra em choque cardiogênico, manifestando-se com taquicardia, taquipneia, palidez, pele acinzentada, pulsos diminuídos e uma segunda bulha cardíaca única na ausculta. O diagnóstico precoce, muitas vezes pré-natal, é crucial. O tratamento inicial consiste na estabilização do paciente e na manutenção da patência do canal arterial com infusão de prostaglandina E1. O manejo definitivo envolve uma série de cirurgias paliativas (Norwood, Glenn, Fontan) ou, em casos selecionados, transplante cardíaco. Residentes devem estar atentos aos sinais de choque em recém-nascidos e considerar a SHVE no diagnóstico diferencial de cardiopatias congênitas dependentes do canal arterial.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos que sugerem Síndrome da Hipoplasia do Ventrículo Esquerdo (SHVE) em um recém-nascido?

Os achados incluem taquicardia, taquipneia, pele acinzentada e palidez, pulsos diminuídos ou ausentes, e uma segunda bulha cardíaca única. Esses sintomas geralmente surgem após o fechamento do canal arterial.

Por que a SHVE é considerada uma cardiopatia congênita dependente do canal arterial?

Na SHVE, o ventrículo esquerdo é hipoplásico e incapaz de bombear sangue para a circulação sistêmica. O fluxo sanguíneo para a aorta e o corpo depende da patência do canal arterial, que permite que o sangue do ventrículo direito chegue à aorta descendente.

Qual a conduta inicial em um recém-nascido com suspeita de SHVE?

A conduta inicial é a estabilização do paciente e a manutenção da patência do canal arterial com infusão de prostaglandina E1. Isso é crucial para garantir o fluxo sanguíneo sistêmico enquanto se prepara para intervenções cirúrgicas ou transplante cardíaco.

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