AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2022
Ao nascimento um recém nascido aparenta estar normal e subitamente após 24 horas desenvolve quadro de baixo débito, pele acinzentada, taquipneia, dificuldade respiratória e hipotermia. Concomitantemente aparecem sinais de acidose metabólica, hipoglicemia, anúria e choque. As bulhas cardíacas são normofonéticas, com segunda bulha única e sem sopros. Pulsos reduzidos nos quatro membros. Radiografia de tórax mostra cardiomegalia leve com aumento da trama vascular pulmonar. Ecocardiograma mostra hipoplasia da valva mitral e da raiz da aorta, um átrio esquerdo e ventrículo esquerdo pequenos e átrio direito e ventrículo direito aumentados.Baseado na principal hipótese diagnóstica analise as asserções abaixo e a relação proposta entre elas. I – A utilização de oxigênio suplementar é fundamental na terapia inicial desta situação.PORQUEII – O tratamento clínico visa estabilizar o paciente para o tratamento cirúrgico, que deve ser realizado assim que houver condições clínicas adequadas.A respeito destas asserções, assinale a opção correta.
SHCE = cardiopatia ducto-dependente sistêmica; oxigênio suplementar é CONTRAINDICADO (piora fluxo sistêmico), Prostaglandina E1 é essencial.
Na Síndrome de Hipoplasia do Coração Esquerdo (SHCE), uma cardiopatia congênita ducto-dependente sistêmica, a oferta de oxigênio suplementar é contraindicada, pois pode promover a vasoconstrição sistêmica e a vasodilatação pulmonar, desviando o fluxo sanguíneo para a circulação pulmonar e comprometendo ainda mais a perfusão sistêmica. O tratamento inicial foca na estabilização com Prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso patente, preparando para a cirurgia.
A Síndrome de Hipoplasia do Coração Esquerdo (SHCE) é uma cardiopatia congênita cianótica grave, caracterizada pelo subdesenvolvimento do ventrículo esquerdo, valva mitral e/ou aórtica, e aorta ascendente. É uma condição ducto-dependente sistêmica, o que significa que a circulação sistêmica do recém-nascido depende da patência do ducto arterioso para o fluxo sanguíneo. A apresentação clínica ocorre geralmente nas primeiras 24-48 horas de vida, quando o ducto arterioso começa a se fechar, levando a sinais de baixo débito cardíaco, choque, acidose metabólica e insuficiência de múltiplos órgãos. O diagnóstico é suspeitado clinicamente pela apresentação de choque em um neonato, pulsos diminuídos nos quatro membros e ausência de sopros significativos, e confirmado por ecocardiograma que revela as anomalias estruturais do coração esquerdo. O manejo inicial é uma emergência médica e visa estabilizar o paciente para o tratamento cirúrgico. A medida mais crítica é a infusão imediata de Prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso patente, garantindo o fluxo sanguíneo sistêmico. É fundamental evitar a administração de oxigênio suplementar em excesso, pois o oxigênio atua como um potente vasodilatador pulmonar e vasoconstritor sistêmico. Isso desvia o fluxo sanguíneo para a circulação pulmonar, que já está aumentada, e compromete ainda mais a perfusão sistêmica, agravando o choque. O tratamento definitivo envolve uma série de cirurgias paliativas em estágios (Norwood, Glenn, Fontan) para criar uma circulação univentricular funcional, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e a sobrevida do paciente.
A Prostaglandina E1 é essencial porque mantém o ducto arterioso patente, permitindo o fluxo sanguíneo para a circulação sistêmica, que é ducto-dependente na SHCE, prevenindo o choque e a acidose metabólica.
O oxigênio suplementar causa vasodilatação pulmonar e vasoconstrição sistêmica. Em SHCE, isso desvia o fluxo sanguíneo para os pulmões, diminuindo a perfusão sistêmica e piorando o choque, sendo, portanto, contraindicado.
O tratamento cirúrgico da SHCE é realizado em estágios: a primeira etapa é a cirurgia de Norwood, seguida pela anastomose de Glenn e, por fim, a cirurgia de Fontan, visando criar uma circulação univentricular funcional.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo