UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Na recepção neonatal e terapia inicial de um recém-nascido com diagnóstico prénatal de síndrome de hipoplasia do coração esquerdo, qual a conduta mais adequada?
Hipoplasia de VE → Circulação sistêmica canal-dependente → Iniciar Prostaglandina (PGE1) IMEDIATAMENTE.
Na SHCE, o ventrículo esquerdo é incapaz de manter o débito sistêmico; a sobrevivência depende da patência do canal arterial mantida por infusão de prostaglandina.
A Síndrome de Hipoplasia do Coração Esquerdo (SHCE) é uma das cardiopatias congênitas mais desafiadoras. O diagnóstico pré-natal permite o planejamento do parto em centro de referência. Imediatamente após o nascimento, a prioridade é manter o canal arterial pérvio com Alprostadil (PGE1). A fisiopatologia baseia-se em uma circulação em paralelo onde o ventrículo direito sustenta tanto a circulação pulmonar quanto a sistêmica. O manejo clínico visa equilibrar as resistências vasculares. Após a estabilização, o paciente seguirá para uma série de cirurgias paliativas (estágios de Norwood, Glenn e Fontan) ou transplante cardíaco. O atraso no início da prostaglandina é a principal causa de morbimortalidade precoce nesta condição.
Na SHCE, as estruturas esquerdas (valva mitral, ventrículo esquerdo, valva aórtica e aorta ascendente) são hipoplásicas e incapazes de suprir a circulação sistêmica. O sangue chega à aorta através do canal arterial (sentido direita-esquerda). Se o canal fecha, ocorre choque cardiogênico e óbito. A Prostaglandina E1 mantém o canal aberto, garantindo o fluxo sistêmico.
O oxigênio é um potente vasodilatador pulmonar. Na SHCE, se a resistência vascular pulmonar cair demais, o fluxo sanguíneo será desviado preferencialmente para os pulmões (hiperfluxo), 'roubando' o sangue da circulação sistêmica já precária. Isso pode levar à acidose metabólica e colapso circulatório. A saturação alvo costuma ser entre 75-85%.
É fundamental obter acesso vascular seguro rapidamente, sendo a cateterização umbilical (veia e artéria) a via preferencial no recém-nascido. Isso permite a infusão contínua de prostaglandina, monitorização da pressão arterial invasiva e coleta de gasometrias para avaliar o equilíbrio entre os fluxos pulmonar e sistêmico.
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