Síndrome de Hiperestimulação Ovariana: Complicações e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 30 anos de idade está em processo de fertilização in vitro. Recebeu estimulação hormonal para estimulação ovariana, com boa resposta e o desenvolvimento de múltiplos folículos/oócitos e desenvolvimento acentuado de ambos os ovários. Qual a principal complicação associada a este procedimento?

Alternativas

  1. A) Endometrite.
  2. B) Ascite e derrame pleural.
  3. C) Ooforite.
  4. D) Gemelaridade.

Pérola Clínica

Estimulação ovariana intensa em FIV → Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), com ascite e derrame pleural como complicações graves.

Resumo-Chave

A Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO) é a complicação mais grave da estimulação ovariana controlada, caracterizada por um aumento da permeabilidade vascular que leva ao extravasamento de fluidos para o terceiro espaço, resultando em ascite, derrame pleural e, em casos graves, hipovolemia e trombose.

Contexto Educacional

A Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO) é uma complicação iatrogênica da estimulação ovariana controlada, mais comumente associada a ciclos de fertilização in vitro (FIV). Caracteriza-se por uma resposta ovariana exagerada aos hormônios exógenos, levando ao desenvolvimento de múltiplos folículos e ovários aumentados. Sua incidência varia, mas formas graves podem ser raras, porém com risco de vida. A fisiopatologia central da SHO envolve a liberação de substâncias vasoativas, como o VEGF, pelos ovários hiperestimulados, que aumentam a permeabilidade capilar. Isso resulta no extravasamento de fluidos do espaço intravascular para o terceiro espaço, causando ascite, derrame pleural e, em casos graves, edema periférico, hemoconcentração, hipovolemia, desequilíbrio eletrolítico, trombose e insuficiência renal. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com ultrassonografia para avaliar o tamanho ovariano e a presença de ascite. O tratamento da SHO é principalmente de suporte, visando à manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, alívio sintomático e prevenção de complicações. Em casos leves, o manejo pode ser ambulatorial, mas formas moderadas a graves exigem hospitalização para monitoramento e intervenções como hidratação venosa, profilaxia antitrombótica e, se necessário, drenagem de ascite ou derrame pleural. A prevenção é fundamental, com estratégias como o uso de agonistas de GnRH para indução da ovulação e o congelamento de embriões para postergar a transferência.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO)?

Os sintomas variam de leves a graves e podem incluir dor abdominal, distensão, náuseas, vômitos, diarreia, oligúria, ascite, derrame pleural e, em casos mais sérios, trombose e insuficiência renal.

Por que a ascite e o derrame pleural ocorrem na SHO?

A SHO causa um aumento da permeabilidade vascular, especialmente nos ovários, levando ao extravasamento de fluidos ricos em proteínas para o terceiro espaço (cavidade peritoneal e pleural), resultando em ascite e derrame pleural.

Como é feito o manejo da SHO grave?

O manejo da SHO grave envolve hospitalização, monitoramento rigoroso, hidratação intravenosa, correção de distúrbios eletrolíticos, alívio sintomático, profilaxia de trombose e, em alguns casos, paracentese ou toracocentese para aliviar a ascite ou o derrame pleural.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo