HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022
Ana, 32 anos de idade está em processo de fertilização in vitro. Recebeu estimulação hormonal para estimulação ovariana, com boa resposta e o desenvolvimento de múltiplos folículos/oócitos e desenvolvimento acentuado de ambos os ovários. Qual a principal complicação associada a este procedimento?
SHO grave → ascite, derrame pleural, hemoconcentração e risco trombótico devido a aumento da permeabilidade capilar.
A Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO) é uma complicação iatrogênica da estimulação ovariana, caracterizada por aumento da permeabilidade capilar. Isso leva a extravasamento de fluido para o terceiro espaço, resultando em ascite, derrame pleural e, em casos graves, hemoconcentração e trombose.
A Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO) é uma complicação iatrogênica da estimulação ovariana controlada, utilizada em técnicas de reprodução assistida como a fertilização in vitro. Sua incidência varia, mas formas graves podem ocorrer em 0,5-5% dos ciclos, sendo crucial para o residente reconhecer e manejar. É uma condição potencialmente grave que pode levar a hospitalização e, raramente, óbito. A fisiopatologia central da SHO envolve o aumento da permeabilidade vascular, principalmente mediado pelo fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), liberado pelos ovários hiperestimulados. Isso resulta em extravasamento de fluido do compartimento intravascular para o terceiro espaço, causando ascite, derrame pleural e, em casos extremos, edema pulmonar. A hemoconcentração resultante aumenta o risco de eventos tromboembólicos, e a hipovolemia relativa pode levar à insuficiência renal. O manejo da SHO varia conforme a gravidade. Casos leves são ambulatoriais com repouso e hidratação. Casos moderados a graves exigem hospitalização para monitoramento, controle da dor, hidratação intravenosa, profilaxia de trombose e, se necessário, paracentese ou toracocentese para alívio sintomático. A prevenção é fundamental, com estratégias como o uso de agonistas de GnRH para indução da ovulação e criopreservação de embriões para evitar a gestação no mesmo ciclo.
Os sinais e sintomas da SHO variam de leves a graves, incluindo dor abdominal, distensão, náuseas, vômitos, diarreia, e em casos graves, ascite, derrame pleural, oligúria e dispneia.
A ascite e o derrame pleural na SHO resultam do aumento da permeabilidade capilar induzido por fatores vasoativos liberados pelos ovários hiperestimulados, como o VEGF, levando ao extravasamento de fluido rico em proteínas para o terceiro espaço.
Fatores de risco incluem idade jovem, síndrome dos ovários policísticos (SOP), altos níveis de estradiol, grande número de folículos e oócitos recuperados, e gestação múltipla.
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