Síndrome de Hiper IgE: Diagnóstico em Lactentes com Abscessos

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Lactente, 9 meses, sexo feminino é internada com quadro de abscesso pulmonar. Apresenta lesões de pele compatíveis com eczema desde o primeiro mês de vida e já apresentou 3 episódios de abscessos de pele. Laboratório evidencia hemograma normal exceto por uma eosinofilia. A suspeita é que ela apresente um quadro de imunodeficiência primária. Que tipo de imunodeficiência poderia ser neste caso?

Alternativas

  1. A) Síndrome de hiper IgE.
  2. B) Infecção pelo HIV.
  3. C) Síndrome de DiGeorge.
  4. D) Defeito de célula NK.
  5. E) Imunodeficiência combinada severa.

Pérola Clínica

Lactente com abscessos recorrentes (pele/pulmão), eczema, eosinofilia e suspeita de imunodeficiência → Síndrome de Hiper IgE (Síndrome de Job).

Resumo-Chave

A Síndrome de Hiper IgE (Síndrome de Job) é uma imunodeficiência primária caracterizada pela tríade clássica de eczema grave, infecções estafilocócicas recorrentes (abscessos cutâneos e pulmonares) e níveis séricos muito elevados de IgE, frequentemente acompanhada de eosinofilia.

Contexto Educacional

A Síndrome de Hiper IgE, também conhecida como Síndrome de Job, é uma imunodeficiência primária rara, geralmente de herança autossômica dominante (mutação no gene STAT3) ou recessiva (mutação em DOCK8 ou TYK2). É caracterizada por uma disfunção complexa do sistema imune que afeta principalmente a resposta Th17, levando a uma susceptibilidade aumentada a infecções bacterianas e fúngicas, além de manifestações alérgicas e esqueléticas. É um diagnóstico importante a ser considerado em lactentes com quadros infecciosos atípicos. O quadro clínico clássico inclui eczema grave e crônico, que se inicia precocemente na vida, e infecções recorrentes da pele e pulmões, frequentemente causadas por Staphylococcus aureus. Os abscessos cutâneos são caracteristicamente 'frios', com pouca inflamação local. Abscessos pulmonares podem evoluir para pneumatoceles. A eosinofilia e os níveis séricos de IgE extremamente elevados (>2000 UI/mL) são achados laboratoriais chave que, juntamente com a clínica, direcionam o diagnóstico. O tratamento da Síndrome de Hiper IgE visa prevenir e controlar as infecções, geralmente com antibioticoterapia profilática e tratamento agressivo das infecções agudas. O manejo do eczema é similar ao da dermatite atópica. O prognóstico depende da gravidade das infecções e do manejo adequado, sendo que as infecções pulmonares são a principal causa de morbidade e mortalidade. O transplante de medula óssea pode ser uma opção para casos graves com mutações específicas.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características clínicas da Síndrome de Hiper IgE?

As características incluem eczema grave e crônico, infecções bacterianas recorrentes (especialmente estafilocócicas) que causam abscessos cutâneos e pulmonares, pneumatoceles, e níveis séricos de IgE muito elevados.

Qual o papel da eosinofilia na Síndrome de Hiper IgE?

A eosinofilia é um achado laboratorial comum na Síndrome de Hiper IgE, embora sua fisiopatologia exata não seja totalmente compreendida. Ela contribui para a inflamação e pode estar relacionada à disfunção imune subjacente.

Como diferenciar a Síndrome de Hiper IgE de outras imunodeficiências primárias?

A combinação de eczema grave, abscessos 'frios' (sem sinais inflamatórios exuberantes), infecções pulmonares recorrentes com pneumatoceles e IgE sérica muito elevada (>2000 UI/mL) é altamente sugestiva de Síndrome de Hiper IgE, diferenciando-a de outras condições.

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