HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Homem, 32 anos de idade, tem cirrose hepática por uso crônico de álcool. Ele procura o pronto-socorro porque está um pouco mais sonolento e constipado. Faz uso crônico de lactulose e furosemida. Ao exame clínico, nota-se descoramento leve, ascite moderada não-tensa, sonolência leve, ausência de flapping. A creatinina dosada foi de 1,97 mg/dL (valor prévio de 6 semanas atrás era de 0,71 mg/dL). Entre as opções abaixo, a melhor dose de albumina indicada para este paciente é:
Cirrose + LRA aguda (creatinina ↑) + sem outra causa renal = Síndrome Hepatorrenal. Albumina na SHR tipo 1: 1,5 g/kg no D1 e 1 g/kg no D2.
O paciente apresenta cirrose e uma elevação aguda da creatinina, sugerindo uma Lesão Renal Aguda (LRA). A Síndrome Hepatorrenal (SHR) é uma causa comum de LRA em cirróticos e o tratamento inclui albumina e vasoconstritores. A dose específica de albumina é crucial para o manejo da SHR tipo 1.
A Síndrome Hepatorrenal (SHR) é uma complicação grave da cirrose hepática avançada, caracterizada por insuficiência renal funcional na ausência de doença renal intrínseca. É uma condição com alta mortalidade e seu reconhecimento precoce é fundamental para o manejo adequado e para melhorar o prognóstico dos pacientes. A fisiopatologia da SHR envolve uma vasodilatação esplâncnica acentuada, levando à hipovolemia arterial efetiva e ativação compensatória de sistemas vasoconstritores endógenos, resultando em vasoconstrição renal severa. O diagnóstico é de exclusão, após afastar outras causas de lesão renal aguda em cirróticos, como necrose tubular aguda ou nefrotoxinas. O tratamento da SHR tipo 1, que é o caso mais provável aqui dada a elevação aguda da creatinina, consiste na combinação de vasoconstritores (como terlipressina ou noradrenalina) e albumina intravenosa. A dose recomendada de albumina é de 1,5 g/kg no primeiro dia, seguida por 1 g/kg no segundo dia, com o objetivo de manter a pressão arterial média e melhorar a perfusão renal, revertendo a disfunção renal.
Os critérios incluem cirrose com ascite, creatinina sérica > 1,5 mg/dL, ausência de melhora da função renal após 2 dias de retirada de diuréticos e expansão volêmica com albumina, ausência de choque, uso recente de nefrotoxinas e doença renal parenquimatosa.
A albumina é usada para expandir o volume plasmático e melhorar a perfusão renal, além de ter efeitos moduladores sobre a inflamação e a função endotelial, que estão alterados na SHR, contribuindo para a reversão da vasoconstrição renal.
A SHR tipo 1 é de rápida progressão e grave, com creatinina dobrando em <2 semanas ou >2,5 mg/dL. A SHR tipo 2 é de progressão mais lenta, com creatinina estável, geralmente entre 1,5-2,5 mg/dL, associada a ascite refratária.
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