HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2024
Paciente sexo masculino 50 anos, portador de cirrose hepática de etiologia alcoólica deu entrada no PS com hematêse, realizada EDA com esclerose de varizes esofageanas. Ao exame apresentava flapping, desorientação têmporo- espacial, icterícia 2+/IV PA 90/60 mmHg FC 115 bpm peso 60 kg. Abdômen globoso, distendido, piparote positivo, indolor a palpação Apresentou na chegada creatinina 1,0 mg/dl, progredindo para 1,4 mg/dl após um dia, com diurese de 250 ml em 24 horas. EAS sem alterações e ultrassom de aparelho urinário sem sinais de doença renal crônica ou obstrução. Assinale a alternativa correta.
Suspeita de SHR = Excluir outras causas de LRA e testar resposta à expansão volêmica com albumina.
O diagnóstico de Síndrome Hepatorrenal (SHR) é de exclusão e exige a ausência de melhora da função renal após a expansão volêmica com albumina, além da exclusão de outras causas de lesão renal aguda. A elevação da creatinina em paciente cirrótico com oligúria, mesmo que ainda abaixo de 1.5 mg/dL, já é um sinal de alerta para LRA e potencial SHR.
A Síndrome Hepatorrenal (SHR) é uma complicação grave da cirrose avançada, caracterizada por insuficiência renal funcional na ausência de doença renal intrínseca. Sua fisiopatologia envolve uma vasodilatação esplâncnica extrema, levando à hipovolemia arterial efetiva e ativação de sistemas vasoconstritores endógenos, resultando em vasoconstrição renal severa. É uma condição com alta morbimortalidade, e seu reconhecimento precoce é fundamental. O diagnóstico da SHR é de exclusão e baseia-se em critérios específicos. O paciente deve ter cirrose com ascite, apresentar lesão renal aguda (aumento da creatinina sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48 horas ou aumento de ≥ 50% da creatinina basal em 7 dias), e não ter melhora da creatinina após pelo menos dois dias de interrupção de diuréticos e expansão volêmica com albumina (1 g/kg/dia, máximo 100 g/dia). Além disso, outras causas de lesão renal aguda devem ser excluídas, como choque, nefrotoxicidade por drogas ou doença renal parenquimatosa. O tratamento da SHR visa reverter a vasoconstrição renal e melhorar a perfusão. A terapia de primeira linha para SHR tipo 1 inclui vasoconstritores (terlipressina, noradrenalina) em combinação com albumina. A diálise pode ser necessária como ponte para o transplante hepático, que é o tratamento definitivo. A prevenção de fatores precipitantes, como sangramento gastrointestinal e infecções, é crucial para evitar o desenvolvimento da SHR.
A SHR é suspeitada em pacientes com cirrose e ascite que desenvolvem lesão renal aguda (aumento da creatinina sérica ≥ 0,3 mg/dL em 48h ou aumento de ≥ 50% da creatinina basal em 7 dias), sem outra causa aparente de lesão renal e sem melhora após expansão volêmica.
A expansão com albumina serve para diferenciar a SHR de outras causas de lesão renal aguda pré-renal, como desidratação ou hipovolemia. Se a creatinina não melhorar após a expansão, a hipótese de SHR se fortalece.
Existem dois tipos principais: SHR tipo 1, caracterizada por rápida e progressiva deterioração da função renal, e SHR tipo 2, com disfunção renal mais moderada e estável, frequentemente associada à ascite refratária. O tipo 1 tem pior prognóstico.
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