UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 48 anos, com cirrose por vírus C da hepatite, é admitida com desorientação, tremor, sonolência e ascite volumosa. Realizado paracentese com retirada de 8 litros. Após 2 dias, apresentou quadro de oligúria associada a elevação dos níveis séricos de ureia e creatinina. A conduta inicial mais adequada é:
Oligúria pós-paracentese de grande volume → Expansão com Albumina 1g/kg/dia.
Em pacientes cirróticos com ascite volumosa submetidos a paracentese (>5L), a reposição de albumina é crucial para prevenir a disfunção circulatória e a lesão renal aguda.
A lesão renal aguda (LRA) no paciente cirrótico é uma complicação grave e multifatorial. Frequentemente, é precipitada por eventos que reduzem o volume arterial efetivo, como paracentese de grande volume sem reposição adequada, hemorragia digestiva ou infecções (especialmente PBE). A conduta inicial obrigatória é a suspensão de diuréticos e a expansão volêmica com albumina humana. A falha nessa resposta inicial, mantendo-se os critérios de LRA, direciona o diagnóstico para a Síndrome Hepatorrenal (SHR), que exige tratamento com vasoconstritores (como terlipressina) associados à albumina.
A albumina é utilizada para prevenir a disfunção circulatória pós-paracentese, que ocorre devido à vasodilatação esplâncnica acentuada após a retirada de grandes volumes de líquido ascítico, o que levaria à hipovolemia efetiva e falência renal.
Para paracentese de grande volume (>5 litros), recomenda-se 8g de albumina por litro retirado. No contexto de suspeita de Síndrome Hepatorrenal ou LRA, a expansão inicial é feita com 1g/kg/dia por 48 horas.
Deve-se suspeitar quando há um aumento da creatinina sérica em paciente cirrótico que não responde à expansão volêmica com albumina e após a exclusão de choque, uso de nefrotóxicos e doenças parenquimatosas renais.
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