Síndrome Hepatorrenal: Manejo e Tratamento Essencial

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Pode-se afirmar, sobre a síndrome hepatorenal (SHR), que:

Alternativas

  1. A) a midodrina, um agonista do receptor α adrenérgico, pode ser usada no tratamento
  2. B) ocorre em torno de 10 % dos pacientes com cirrose avançada
  3. C) a SHR tipo II é mais insidiosa e com menor mortalidade
  4. D) a expansão com albumina 1,5g/kg/dia faz parte do tratamento

Pérola Clínica

SHR → Expansão volêmica com albumina é pilar do tratamento, especialmente na SHR tipo I.

Resumo-Chave

A Síndrome Hepatorrenal (SHR) é uma complicação grave da cirrose avançada, caracterizada por insuficiência renal funcional. O tratamento visa reverter a vasoconstrição renal e melhorar a perfusão, sendo a expansão volêmica com albumina um componente crucial, especialmente na SHR tipo I, que é de rápida progressão e alta mortalidade.

Contexto Educacional

A Síndrome Hepatorrenal (SHR) é uma complicação grave e potencialmente fatal da cirrose avançada e da insuficiência hepática aguda, caracterizada por insuficiência renal funcional na ausência de doença renal intrínseca. Sua prevalência é significativa em pacientes com cirrose descompensada, e o reconhecimento precoce é crucial devido à alta mortalidade, especialmente na SHR tipo I. A compreensão da fisiopatologia e do manejo é fundamental para residentes. A fisiopatologia da SHR envolve uma complexa interação de fatores hemodinâmicos. A cirrose avançada leva à vasodilatação esplâncnica, resultando em hipovolemia arterial efetiva. Isso ativa sistemas vasoconstritores endógenos (sistema renina-angiotensina-aldosterona, sistema nervoso simpático, vasopressina), que causam vasoconstrição renal severa e, consequentemente, redução da filtração glomerular. A SHR é classificada em tipo I (rápida progressão, alta mortalidade) e tipo II (mais insidiosa, associada a ascite refratária). O tratamento da SHR visa reverter a vasoconstrição renal e melhorar a perfusão. A expansão volêmica com albumina é um pilar fundamental, especialmente na SHR tipo I, com doses recomendadas de 1,5 g/kg no primeiro dia e 1 g/kg/dia nos dias subsequentes, para restaurar o volume intravascular efetivo. Além disso, vasoconstritores esplâncnicos como a terlipressina (agonista V1 da vasopressina), midodrina (agonista alfa-adrenérgico) e noradrenalina são utilizados para reduzir a vasodilatação esplâncnica e melhorar o fluxo sanguíneo renal. O transplante hepático é o tratamento definitivo para a doença hepática subjacente e, consequentemente, para a SHR.

Perguntas Frequentes

Qual a fisiopatologia da Síndrome Hepatorrenal?

A SHR é causada por uma intensa vasoconstrição renal em resposta à vasodilatação esplâncnica e à hipovolemia arterial efetiva em pacientes com cirrose avançada. Isso leva à ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema nervoso simpático, resultando em isquemia renal funcional.

Quais são os principais componentes do tratamento da SHR tipo I?

O tratamento da SHR tipo I envolve a expansão volêmica com albumina (geralmente 1,5 g/kg no primeiro dia, seguido de 1 g/kg/dia) e o uso de vasoconstritores esplâncnicos, como terlipressina, midodrina ou noradrenalina, para melhorar a perfusão renal.

Qual a diferença entre SHR tipo I e SHR tipo II?

A SHR tipo I é caracterizada por uma rápida e progressiva deterioração da função renal, com alta mortalidade. A SHR tipo II é mais insidiosa, com deterioração renal mais lenta e mortalidade menor, frequentemente associada à ascite refratária.

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