UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024
Criança, 2 anos de idade, foi levado à emergência pediátrica pelos pais, apresentando diminuição do volume urinário. A mãe relata que, há cerca de 8 dias, a criança apresentou febre, vômitos e diarreia com sangue. Ao exame clínico, a criança apresenta-se desidratada, descorada 3/4+, edemaciada, irritada. São solicitados exames que mostram hemograma com hemácias fragmentadas, Hb = 6,5g%, Htc = 19%, leucócitos = 25.000; plaquetas = 45 000; ureia = 100 mg%; creatinina = 2,5mg%. EAS = 18 leucócitos, 25 hemácias por campo e cilindros hemáticos. A criança foi internada e, no segundo dia, apresentou uma crise convulsiva e febre. A ureia era de 170 mg%, a creatinina de 3,02mg% e a excreção fracionada de sódio > 1. Qual o diagnóstico provável e o tratamento para essa criança?
SHU = Anemia Hemolítica Microangiopática + Trombocitopenia + IRA. Pródromos: diarreia sanguinolenta. Tratamento: suporte, diálise se necessário.
O quadro clínico de pródromos gastrointestinais com diarreia sanguinolenta, seguido de anemia hemolítica microangiopática (hemácias fragmentadas, Hb baixa), trombocitopenia (plaquetas baixas) e insuficiência renal aguda (ureia e creatinina elevadas, FeNa > 1), é diagnóstico de Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU). O tratamento é de suporte, incluindo diálise se houver indicação de IRA grave.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica grave, mais comum em crianças, caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. A forma mais comum é a SHU típica, associada à infecção por bactérias produtoras de toxina Shiga, como a Escherichia coli O157:H7, que geralmente se manifesta após um pródromo de diarreia sanguinolenta. O caso clínico descreve uma criança com histórico de diarreia com sangue, seguida de palidez, edema, oligúria e irritabilidade. Os exames laboratoriais confirmam a tríade: anemia grave com hemácias fragmentadas (esquizócitos), trombocitopenia e insuficiência renal aguda (ureia e creatinina elevadas, FeNa > 1 indicando IRA renal). A crise convulsiva e a febre podem ser complicações da uremia e da disfunção sistêmica. O tratamento da SHU é essencialmente de suporte, visando manter a homeostase e tratar as complicações. Isso inclui hidratação, controle da pressão arterial, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e, se necessário, transfusões de hemácias e diálise para a insuficiência renal. É crucial evitar antibióticos na fase prodrômica da SHU associada à toxina Shiga, pois podem exacerbar a liberação da toxina e piorar o prognóstico.
A SHU clássica geralmente se inicia com pródromos gastrointestinais, como diarreia sanguinolenta, vômitos e dor abdominal. Após alguns dias, desenvolve-se a tríade característica: anemia hemolítica microangiopática (palidez, icterícia), trombocitopenia (petéquias, sangramentos) e insuficiência renal aguda (oligúria, edema).
O hemograma revela anemia com esquizócitos (hemácias fragmentadas), indicando hemólise microangiopática, e trombocitopenia. A função renal mostra elevação da ureia e creatinina, com a excreção fracionada de sódio (FeNa) geralmente > 1, indicando uma lesão renal intrínseca (IRA renal).
O tratamento da SHU é primariamente de suporte. Isso inclui hidratação cuidadosa, correção de distúrbios eletrolíticos, controle da hipertensão, transfusões de hemácias se anemia grave e, frequentemente, terapia de substituição renal (diálise) para a insuficiência renal aguda. Antibióticos são geralmente contraindicados na SHU associada à toxina Shiga.
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