SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Menino, 4 anos de idade, apresenta vômitos, cólicas e evacuações com sangue há 2 dias. Passou 10 dias em fazenda de gado, em visita aos avós. Após 5 dias do retorno para casa, iniciou quadro de diarreia aquosa, 3 a 5 evacuações ao dia, por 3 dias e evolui para o quadro atual. Ao exame está hidratado, descorado ++/4+, anictérico, FR = 110 bpm, FR = 24 mrm, Tec = 3 seg. e SatO₂ 95%. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, abdome doloroso à palpação, fígado e baço não palpáveis. Foi realizado hemograma com: • Hb 7,1 g/dL; • Htc 23%; • RDW 15; • Reticulócitos 10% e presença de esquizócitos no esfregaço; • Leucócitos 11.000µ/L com distribuição (2-62-2-0-31-3); • Plaquetas 95.000/mm³; • DHL = 380 U/L; • Na = 130 mEq/L; • K = 3 mEq/L; • Ureia = 50 mg/dL; • Creatinina = 2 mg/dL. O diagnóstico pertinente ao quadro e a conduta indicada são, respectivamente:
Diarreia sanguinolenta + Anemia (esquizócitos) + Plaquetopenia + IRA = SHU.
A SHU é uma microangiopatia trombótica pós-infecciosa (STEC) caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda, exigindo suporte clínico imediato.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) típica é a principal causa de insuficiência renal aguda em crianças pequenas, geralmente precedida por um pródromo de diarreia (muitas vezes sanguinolenta) causada pela E. coli produtora de toxina Shiga (STEC), frequentemente associada ao consumo de carne mal cozida ou contato com animais de fazenda. A fisiopatologia envolve a absorção sistêmica da toxina, que se liga ao receptor Gb3 no endotélio vascular (especialmente glomerular), causando dano endotelial, ativação plaquetária e formação de microtrombos. Isso leva ao consumo de plaquetas e à fragmentação mecânica das hemácias (gerando esquizócitos). O diagnóstico é clínico-laboratorial e a conduta precoce de suporte é vital para reduzir a morbimortalidade renal a longo prazo.
A tríade clássica da SHU consiste em: 1) Anemia hemolítica microangiopática (com presença de esquizócitos no esfregaço de sangue periférico e Coombs direto negativo); 2) Trombocitopenia (geralmente abaixo de 150.000/mm³); e 3) Insuficiência renal aguda (elevação de ureia e creatinina, frequentemente com oligúria).
O uso de antibióticos em infecções por E. coli produtora de toxina Shiga (STEC) pode induzir a lise bacteriana maciça, liberando grandes quantidades de toxina na circulação. Isso aumenta drasticamente o risco de desenvolvimento da Síndrome Hemolítico-Urêmica e agrava a lesão endotelial sistêmica.
O tratamento é essencialmente de suporte. Inclui manejo rigoroso de fluidos e eletrólitos (evitando sobrecarga hídrica na vigência de oligúria), controle da hipertensão arterial, transfusões de hemácias se anemia sintomática e terapia de substituição renal (diálise) se houver uremia grave, hipercalemia refratária ou anasarca.
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