UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Menino de 7 anos é levado pelo responsável ao pronto socorro infantil com queixa de febre alta há cinco dias, associada à diarreia com presença de sangue, sem muco ou pus. Os exames complementares revelam anemia hemolítica grave, plaquetopenia, aumento de ureia e creatinina e isolamento da bactéria Escherichia coli O157:H7, produtora da toxina shiga. Sobre o tratamento indicado para esta doença, é correto afirmar que a:
SHU por E. coli O157:H7: antibióticos contraindicados → ↑ liberação de toxina Shiga.
Na Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) associada à infecção por E. coli O157:H7 produtora de toxina Shiga, a prescrição de antibióticos é contraindicada. Isso ocorre porque a lise bacteriana induzida pelos antibióticos pode aumentar a liberação da toxina Shiga, agravando o quadro clínico e o dano renal.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica grave, mais comum em crianças, caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, plaquetopenia e insuficiência renal aguda. A forma mais comum, a SHU típica ou diarreia-associada (D+ SHU), é causada pela infecção por cepas de Escherichia coli produtoras de toxina Shiga (STEC), como a E. coli O157:H7. A infecção geralmente se manifesta com diarreia sanguinolenta, que precede o desenvolvimento da SHU. A toxina Shiga, liberada pelas bactérias, lesa as células endoteliais dos vasos sanguíneos, especialmente nos rins, levando à formação de trombos e à destruição de glóbulos vermelhos e plaquetas. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a identificação da STEC nas fezes. É crucial reconhecer que, ao contrário de outras infecções bacterianas, o uso de antibióticos na fase diarreica da SHU por STEC é contraindicado, pois pode aumentar a liberação da toxina Shiga e agravar a doença renal. O tratamento da SHU é essencialmente de suporte, visando corrigir as disfunções orgânicas. Isso inclui hidratação cuidadosa, controle da pressão arterial, transfusões de hemácias para anemia grave e, frequentemente, suporte dialítico para a insuficiência renal aguda. A monitorização rigorosa e o manejo precoce das complicações são fundamentais para o prognóstico dos pacientes, que pode ser grave sem o suporte adequado.
A SHU é caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, plaquetopenia e insuficiência renal aguda, frequentemente precedida por diarreia sanguinolenta, especialmente em crianças.
Antibióticos podem induzir a lise da bactéria E. coli O157:H7, levando à liberação maciça da toxina Shiga. Essa toxina é a principal responsável pelo dano endotelial e pelas manifestações graves da SHU, como a insuficiência renal.
O tratamento da SHU é primariamente de suporte, focando na manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, controle da hipertensão, manejo da anemia (transfusões se necessário) e suporte dialítico para a insuficiência renal aguda, se indicado.
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