UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020
Pré-escolar, três anos, inicia quadro de diarreia há seis dias e evolui hoje com vômitos e irritabilidade importante. É levado a um Serviço de Emergência onde realiza exames complementares com os resultados a seguir: hemograma: Hb = 7,0g/dL; hematócrito = 22%; leucócitos = 18.000mm³ (neutrófilos = 45% e linfócitos = 52%); plaquetas = 95.000 mm³ ; ureia = 65mg/dL; creatinina = 0,9mg/dL; Na+ = 143mEq/L; e K+= 4,8mEq/L. O diagnóstico provável e o tratamento correto são, respectivamente:
SHU clássica: criança <5a + diarreia + anemia hemolítica + trombocitopenia + IRA.
A Síndrome Hemolítico Urêmica (SHU) é uma complicação grave, geralmente pós-diarreia por E. coli produtora de toxina Shiga, caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. O tratamento é primariamente de suporte.
A Síndrome Hemolítico Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica grave, mais comum em crianças pequenas, com alta morbidade e mortalidade se não reconhecida e tratada adequadamente. É uma das principais causas de insuficiência renal aguda em pediatria. A forma mais comum, a SHU típica ou diarreica, é desencadeada por infecção por cepas de Escherichia coli produtoras de toxina Shiga (STEC), como a O157:H7. A fisiopatologia envolve a ação da toxina Shiga, que lesa o endotélio vascular, principalmente nos rins, levando à formação de trombos, hemólise microangiopática e consumo de plaquetas. O diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado na tríade de anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos no esfregaço), trombocitopenia e insuficiência renal aguda, geralmente após um pródromo diarreico. A suspeita deve ser alta em qualquer criança com diarreia sanguinolenta que desenvolve palidez, oligúria e irritabilidade. O tratamento da SHU é fundamentalmente de suporte, visando manter o equilíbrio hidroeletrolítico, controlar a hipertensão, corrigir a anemia e a trombocitopenia (se sintomáticas) e gerenciar a insuficiência renal, que pode necessitar de diálise. Antibióticos são contraindicados na fase diarreica, pois podem aumentar a liberação da toxina Shiga. O prognóstico varia, mas a maioria das crianças se recupera, embora algumas possam desenvolver doença renal crônica.
A SHU clássica manifesta-se com diarreia (frequentemente sanguinolenta), seguida por palidez, icterícia, oligúria, irritabilidade e petéquias, refletindo a tríade de anemia hemolítica, trombocitopenia e insuficiência renal aguda.
O tratamento da SHU é essencialmente de suporte, incluindo hidratação rigorosa, controle da hipertensão, transfusões sanguíneas se necessário, e diálise em casos de insuficiência renal grave. Antibióticos não são indicados e podem piorar o quadro.
A SHU é caracterizada pela tríade específica de anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos), trombocitopenia e lesão renal aguda, geralmente precedida por um quadro diarreico. Outras causas podem não apresentar essa combinação ou o histórico de diarreia.
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