FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025
Em relação à trombocitopenia presente na síndrome hemolítico-urêmica (SHU), assinale a alternativa correta:
SHU → Transfusão de plaquetas apenas se sangramento ativo ou < 30.000 antes de procedimentos.
Na SHU, a trombocitopenia decorre do consumo periférico em microtrombos. A transfusão profilática é evitada para não 'alimentar' a microangiopatia trombótica.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma das principais causas de insuficiência renal aguda em crianças, classicamente precedida por pródromos de diarreia sanguinolenta. A tríade diagnóstica consiste em anemia hemolítica microangiopática (com presença de esquizócitos), trombocitopenia e lesão renal aguda. O manejo da trombocitopenia na SHU exige cautela. Diferente da púrpura trombocitopênica imune (PTI), onde o risco de sangramento é a preocupação primária, na SHU a preocupação central é a microangiopatia. A evidência sugere que a contagem de plaquetas não se correlaciona diretamente com o risco de sangramento espontâneo grave, e a maioria dos pacientes tolera contagens baixas sem complicações hemorrágicas. O tratamento foca no suporte hidroeletrolítico, manejo da uremia e, se necessário, terapia renal substitutiva, evitando intervenções que possam exacerbar a cascata trombótica microvascular.
A trombocitopenia na Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é de natureza consumptiva. A lesão endotelial, desencadeada principalmente pela toxina Shiga (em casos de E. coli), promove a ativação e agregação plaquetária difusa na microcirculação, especialmente nos glomérulos renais. Isso leva à formação de microtrombos ricos em plaquetas e fibrina. Como resultado, há um sequestro periférico de plaquetas, reduzindo sua contagem sistêmica, enquanto a produção medular permanece normal ou aumentada (diferente de doenças de falência medular).
A transfusão de plaquetas é geralmente contraindicada ou evitada na SHU e em outras microangiopatias trombóticas (como a PTT) porque existe o risco teórico de que as plaquetas transfundidas 'alimentem' o processo de trombose microvascular. Ao fornecer mais substrato para a formação de microtrombos, a transfusão poderia, teoricamente, agravar a isquemia orgânica, particularmente no sistema nervoso central e rins. Portanto, a conduta é expectante, reservando a transfusão apenas para situações críticas de risco hemorrágico.
As indicações são restritas e baseiam-se na presença de sangramento ativo clinicamente significativo ou na necessidade de procedimentos invasivos iminentes (como a inserção de um cateter de diálise peritoneal ou venoso central) quando a contagem de plaquetas está muito baixa, tipicamente abaixo de 30.000/mm³ a 50.000/mm³. Fora desses cenários, a conduta preconizada é o suporte clínico, controle rigoroso da hipertensão e manejo da insuficiência renal aguda.
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