Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Pré-escolar, sexo masculino, 3 anos de idade, foi levado à emergência pediátrica, por apresentar-se pálido e com diminuição do volume urinário. A mãe relata que, há cerca de 1 semana, a criança apresentou febre, vômitos e diarreia com alguns laivos sangue, quadro que se resolveu espontaneamente. Ao exame, a criança apresenta-se desidratada, descorada 3/4+, edemaciada e irritada. São solicitados exames que mostram: hemograma com esquizócitos, Hb de 6,0 g/dL, Ht de 18%, leucócitos de 20000/mm³ e plaquetas de 40000/mm3 ; ureia de 90 mg/dL e creatinina de 2,2 mg/dL%. O exame de urina apresenta 13 leucócitos/campo, 20 hemácias/campo e cilindros hemáticos. A criança foi internada e, no segundo dia, apresentou uma crise convulsiva. A ureia já era de 150 mg/dL e a creatinina de 3,0 mg/dL. Qual o diagnóstico mais provável e o tratamento para essa criança?
Diarreia sanguinolenta prévia + Anemia hemolítica microangiopática + Plaquetopenia + IRA → SHU.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma emergência pediátrica caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, plaquetopenia e insuficiência renal aguda, frequentemente precedida por diarreia sanguinolenta. O tratamento é de suporte, podendo incluir diálise em casos graves e com complicações neurológicas.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, plaquetopenia e insuficiência renal aguda. É a principal causa de insuficiência renal aguda em crianças. A forma mais comum, a SHU típica ou diarreia-associada (D+ SHU), é precedida por um quadro de gastroenterite com diarreia sanguinolenta, geralmente causada por *Escherichia coli* produtora de toxina Shiga (STEC). A fisiopatologia envolve a ação da toxina Shiga, que lesa as células endoteliais dos capilares glomerulares, levando à formação de trombos, hemólise intravascular e consumo de plaquetas. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a identificação dos esquizócitos no esfregaço de sangue periférico, plaquetopenia e elevação de ureia e creatinina. A suspeita deve ser alta em crianças com história de diarreia sanguinolenta que desenvolvem palidez, oligúria e edema. O tratamento da SHU é primariamente de suporte. Não há tratamento específico para a toxina Shiga. A hidratação cuidadosa é fundamental, evitando tanto a desidratação quanto a sobrecarga volêmica. Transfusões de concentrado de hemácias podem ser necessárias para anemia grave. Em casos de insuficiência renal aguda grave, como o descrito na questão com crise convulsiva e piora da função renal, a terapia de substituição renal (diálise) é frequentemente indicada para manejar as complicações urêmicas e hidroeletrolíticas. O prognóstico é geralmente bom na SHU típica, mas complicações neurológicas e renais crônicas podem ocorrer.
A tríade clássica da SHU consiste em anemia hemolítica microangiopática (com presença de esquizócitos no esfregaço de sangue periférico), plaquetopenia e insuficiência renal aguda.
A SHU típica (ou diarreia-associada) é a forma mais comum em crianças e é causada principalmente por infecção por *Escherichia coli* produtora de toxina Shiga (STEC), manifestando-se inicialmente com um quadro de diarreia sanguinolenta.
A diálise é indicada em casos de insuficiência renal aguda grave com oligúria/anúria, sobrecarga volêmica refratária, hipercalemia grave, acidose metabólica grave ou sintomas neurológicos (como convulsões), que indicam uremia avançada e risco de vida.
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