PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Um menino de 1 ano é levado ao pronto-socorro com dor abdominal, vômitos e diarreia. Os exames laboratoriais revelaram anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. Qual é o diagnóstico mais provável?
Tríade: Anemia hemolítica microangiopática + plaquetopenia + IRA em criança = Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU).
A SHU é a principal causa de insuficiência renal aguda em crianças pequenas. A tríade clássica (anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda) após um episódio de diarreia sanguinolenta é altamente sugestiva.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica caracterizada pela tríade clássica de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. É a causa mais comum de lesão renal aguda em crianças menores de 5 anos. A forma típica (cerca de 90% dos casos) é precedida por um episódio de diarreia, frequentemente sanguinolenta, causada por bactérias produtoras de toxina Shiga, como a Escherichia coli enterohemorrágica (EHEC). A fisiopatologia envolve a lesão do endotélio vascular, principalmente nos glomérulos renais, pela toxina Shiga. Isso leva à formação de microtrombos de plaquetas e fibrina na microcirculação, causando obstrução vascular. As hemácias se fragmentam ao passar por esses vasos obstruídos (gerando esquizócitos), as plaquetas são consumidas na formação dos trombos e a isquemia renal resulta em insuficiência renal aguda. O diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado na identificação da tríade. O tratamento é de suporte, focado no manejo das complicações renais, hematológicas e hipertensivas. O uso de antibióticos na fase diarreica é controverso e pode aumentar o risco de desenvolver SHU. O prognóstico é geralmente bom na SHU típica, mas uma parcela dos pacientes pode evoluir com sequelas renais crônicas.
Os achados incluem anemia com esquizócitos no esfregaço de sangue periférico, reticulocitose, LDH e bilirrubina indireta elevadas, haptoglobina consumida, trombocitopenia e elevação de ureia e creatinina.
O manejo é primariamente de suporte, com foco no controle hidroeletrolítico e da pressão arterial, manejo da insuficiência renal (incluindo diálise, se necessário) e transfusão de hemácias se houver instabilidade hemodinâmica. Transfusão de plaquetas é reservada para sangramento ativo.
Embora ambas sejam microangiopatias trombóticas, a SHU é mais comum em crianças e cursa predominantemente com lesão renal. A PTT é mais comum em adultos, com maior acometimento neurológico e deficiência severa da atividade da enzima ADAMTS13 (<10%).
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