Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2023
HJP, 18 meses, masculino, chega à UPA com história de, há 10 dias, ter apresentando diarreia com sangue, dor abdominal e vômitos com duração de 5 dias. Após esse período, a mãe refere que está mais pálido, irritado e com urina escura e em menor volume. Ao exame: regular-mau estado geral, descorado ++/4, FC 150 BRNF 2t sopro suave, FR 25, SatO₂ 97%. Exames: Hb 7,1 (VR 11 - 13g/dL), Ht 22% (VR 36 - 44%), Leucócitos 12.000µL (VR 4000 - 11000µL), Plaquetas 68.000µL (VR 140.000 - 450.000µL), Ureia 60, Creatinina 2,5. Presença de esquizócitos. Frente ao caso apresentado, qual alternativa apresenta a provável hipótese diagnóstica e a etiologia?
Diarreia sanguinolenta + anemia hemolítica microangiopática + trombocitopenia + IRA → SHU atípica, geralmente por E. coli O157:H7.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda, frequentemente precedida por diarreia sanguinolenta. A principal etiologia é a infecção por Escherichia coli entero-hemorrágica (EHEC), produtora de toxina Shiga.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica grave, mais comum em crianças, caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. A forma típica, ou SHU associada à diarreia (SHU-D), é a mais prevalente e geralmente segue uma infecção gastrointestinal. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade e no potencial de sequelas renais crônicas. A fisiopatologia da SHU-D está intrinsecamente ligada à infecção por cepas de Escherichia coli entero-hemorrágica (EHEC), como a O157:H7, que produzem toxinas Shiga (verotoxinas). Essas toxinas são absorvidas no intestino, atingem a circulação e causam dano direto às células endoteliais dos capilares, especialmente nos glomérulos renais, levando à formação de trombos, hemólise e disfunção renal. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com a história de diarreia sanguinolenta precedendo o desenvolvimento da tríade. O tratamento da SHU é de suporte, focando na correção da anemia (transfusões), manejo da trombocitopenia e, principalmente, no suporte da insuficiência renal aguda, que pode exigir diálise. Antibióticos geralmente não são recomendados na fase diarreica da SHU-D, pois podem aumentar a liberação de toxinas Shiga. O prognóstico varia, mas a maioria das crianças se recupera, embora algumas possam desenvolver doença renal crônica.
A SHU clássica é caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos), trombocitopenia e insuficiência renal aguda.
A causa mais comum da SHU em crianças é a infecção por Escherichia coli entero-hemorrágica (EHEC), especialmente a cepa O157:H7, que produz toxinas Shiga (verotoxinas) após um quadro de diarreia sanguinolenta.
A toxina Shiga, liberada pela EHEC, é absorvida e atinge a circulação, causando dano endotelial em pequenos vasos, principalmente nos rins, levando à formação de trombos, hemólise microangiopática e insuficiência renal.
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