Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2022
Lactente, sexo feminino, 1 ano e 5 meses de idade, deu entrada no Pronto-Socorro com história de vômitos e diarreia há 1 semana. Refere que apresentou febre de até 39°C nos 3 primeiros dias de sintomas, quando havia procurado serviço médico, sendo liberada com sintomáticos. Há 2 dias, a criança encontra-se mais apática, sonolenta, com baixa aceitação alimentar, motivando o retorno ao serviço de emergência. A mãe também se preocupou, pois acha que tem sangramento nas fezes. Na avaliação clínica, criança em regular estado geral, sonolenta, descorada 3+/4+, com mucosas secas, tempo de enchimento capilar de 3 segundos, frequência cardíaca de 170 bpm, frequência respiratória de 32 irpm, saturação de 93% em ar ambiente, pressão arterial de 82 x 58 mmHg. Abdome flácido, doloroso à palpação difusamente, sem sinais de peritonite. Restante do exame clínico sem alterações significativas. Optado pela coleta de exames laboratoriais, com Hb: 7,2 g/dL, Ht 22%, leucócitos: 13.000, plaquetas: 88.000, ureia: 128, creatinina: 2,8, sódio: 133 mEq/L, potássio: 5,2 mEq/L. O agente etiológico mais associado ao quadro clínico apresentado é:
Diarreia sanguinolenta + anemia hemolítica + trombocitopenia + IRA = SHU → EHEC.
O quadro clínico de diarreia sanguinolenta, anemia (hemolítica), trombocitopenia e insuficiência renal aguda em lactente é altamente sugestivo de Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU). A causa mais comum da SHU típica é a infecção pela Escherichia coli enterohemorrágica (EHEC), produtora de toxina Shiga.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica grave, mais comum em crianças, caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. É uma complicação séria, frequentemente precedida por um episódio de diarreia sanguinolenta, e sua identificação precoce é crucial para o manejo adequado e para evitar sequelas graves. A etiologia mais comum da SHU típica (ou diarreia-associada) é a infecção pela Escherichia coli enterohemorrágica (EHEC), particularmente a cepa O157:H7, que produz toxinas Shiga (Stx). Essas toxinas são absorvidas no intestino e causam dano endotelial sistêmico, especialmente nos glomérulos renais, levando à formação de trombos, hemólise de eritrócitos e consumo de plaquetas. O quadro clínico da questão, com diarreia sanguinolenta, anemia, plaquetopenia e elevação de ureia e creatinina, é clássico de SHU. O tratamento da SHU é primariamente de suporte, visando manter a homeostase hidroeletrolítica, corrigir a anemia (com transfusões, se necessário) e manejar a insuficiência renal (que pode requerer diálise). É importante notar que o uso de antibióticos na fase diarreica da infecção por EHEC é controverso e geralmente desaconselhado, pois pode aumentar a liberação de toxinas Shiga e, consequentemente, o risco de desenvolver SHU. O prognóstico varia, mas a SHU pode levar a morbidade e mortalidade significativas, incluindo doença renal crônica.
A SHU é caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos no esfregaço), trombocitopenia e insuficiência renal aguda.
A EHEC, especialmente a cepa O157:H7, produz toxinas Shiga (Stx1 e Stx2) que são absorvidas e atingem a circulação. Essas toxinas danificam o endotélio vascular, especialmente nos rins, levando à formação de trombos, hemólise e disfunção renal.
A conduta inicial inclui suporte intensivo, hidratação cuidadosa, monitoramento rigoroso da função renal e eletrólitos, e manejo da anemia e trombocitopenia. Antibióticos são geralmente contraindicados na SHU associada à EHEC, pois podem aumentar a liberação de toxina Shiga.
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