Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2023
Pré-escolar, três anos, sexo feminino, é trazido por seus pais à emergência que relatam que seu filho está menos ativo e mais pálido do que o habitual. Referem que há quatro dias o menino apresentou quadro de febre (38,5°C), vômitos e diarreia com sangue e que desde ontem está urinando pouco, porém tolerando líquidos via oral. Segundo os pais, o paciente era saudável. Ao exame: pálido, hipocorado 3+/4+, irritado, prostrado e com dor à palpação abdominal. FC: 160 bpm, FR: 40 irpm, PA: 100 x 60 mmHg. Exames laboratoriais: Hb:6,6g/dL, Ht:21%, leucometria: 15.900/mm³ (bastões 14%, segmentados 65%); plaquetas: 55.000/mm³, Na+: 133mEq/L, K+: 4,5 mEq/L, creatinina: 2,8 mg/dL, ureia: 127 mg/dL. Exame de urina: hematúria. A principal hipótese diagnóstica é:
SHU = tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e IRA, frequentemente pós-diarreia sanguinolenta.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. Em crianças, é classicamente precedida por um quadro de diarreia sanguinolenta, geralmente causada por cepas produtoras de toxina Shiga de E. coli.
A Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) é uma emergência pediátrica grave, caracterizada por uma microangiopatia trombótica que afeta predominantemente os rins. É a causa mais comum de insuficiência renal aguda em crianças pequenas. A SHU típica (ou diarreia-associada, D+ SHU) é geralmente precedida por uma infecção gastrointestinal por bactérias produtoras de toxina Shiga, como Escherichia coli O157:H7, que leva à lesão endotelial e à formação de microtrombos. Clinicamente, a SHU se manifesta pela tríade de anemia hemolítica microangiopática (evidenciada por esquizócitos no esfregaço de sangue periférico e Coombs negativo), trombocitopenia e insuficiência renal aguda. O quadro inicial é frequentemente de diarreia sanguinolenta, febre e vômitos, seguido pelo desenvolvimento da tríade em alguns dias. A criança pode apresentar palidez, irritabilidade, oligúria e dor abdominal. O manejo da SHU é principalmente de suporte, com foco na correção da anemia (transfusões), controle da hipertensão, manejo hidroeletrolítico e, se necessário, diálise para a insuficiência renal. Não há tratamento específico para a toxina Shiga, e antibióticos são geralmente evitados, pois podem aumentar a liberação de toxinas. O prognóstico varia, mas a recuperação renal completa ocorre na maioria dos casos, embora complicações a longo prazo sejam possíveis.
A SHU é caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos no esfregaço), trombocitopenia (plaquetas < 150.000/mm³) e insuficiência renal aguda (elevação de ureia e creatinina, oligúria/anúria).
A causa mais comum é a infecção por Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC), especialmente a cepa O157:H7. Manifesta-se tipicamente após um pródromo de diarreia sanguinolenta, que precede o desenvolvimento da tríade clássica em cerca de 5 a 10 dias.
A SHU se diferencia pela presença da tríade específica (anemia hemolítica microangiopática e trombocitopenia) em conjunto com a IRA, frequentemente após um quadro de diarreia sanguinolenta. Outras causas de IRA podem não apresentar essa combinação de achados hematológicos.
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