Síndrome Hemolítica-Urêmica Pediátrica: Diagnóstico e Sinais

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022

Enunciado

Lactente, 1 ano e 2 meses, masculino, com quadro de vômitos e diarreia sanguinolenta associada à desidratação, é levado ao pronto-socorro e adequadamente tratado, recebendo alta hospitalar assintomática e com orientações. Após 5 dias, evoluiu com sonolência, palidez cutânea, diminuição na diurese com coloração escura. Ao exame: descorado, taquicárdico, taquipneica leve, hipoativo, abdome sem alterações e discreto edema de membros inferiores.De acordo com o quadro apresentado, assinale a opção que indica o diagnóstico desse paciente.

Alternativas

  1. A) Gastroenterocolite aguda.
  2. B) Pielonefrite.
  3. C) Insuficiência cardíaca congestiva.
  4. D) Síndrome hemolítica-urêmica.

Pérola Clínica

Lactente com diarreia sanguinolenta + palidez + diminuição diurese + sonolência → SHU (suspeitar pós-infecção por E. coli produtora de toxina Shiga).

Resumo-Chave

O quadro clínico de um lactente com histórico de diarreia sanguinolenta, seguido por palidez, sonolência, oligúria e urina escura, é altamente sugestivo de Síndrome Hemolítica-Urêmica (SHU), uma complicação grave de infecções entéricas, geralmente por E. coli produtora de toxina Shiga. A SHU é caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda.

Contexto Educacional

A Síndrome Hemolítica-Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. É a principal causa de insuficiência renal aguda em crianças pequenas. A forma mais comum, a SHU típica ou diarreia-associada (SHU-D+), é precedida por uma infecção gastrointestinal, geralmente por Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC), como a E. coli O157:H7. A fisiopatologia envolve a absorção da toxina Shiga no intestino, que viaja pela corrente sanguínea e causa dano endotelial, principalmente nos glomérulos renais. Isso leva à formação de trombos nos pequenos vasos, resultando em hemólise mecânica dos eritrócitos (anemia hemolítica microangiopática), consumo de plaquetas (trombocitopenia) e isquemia renal (insuficiência renal aguda). O quadro clínico típico se desenvolve alguns dias após a resolução da fase diarreica. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com achados de anemia com esquizócitos no esfregaço, trombocitopenia e elevação de ureia e creatinina. O tratamento é de suporte, focando na manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, controle da hipertensão e, se necessário, diálise. É crucial evitar o uso de antibióticos na fase diarreica da infecção por STEC, pois podem aumentar a liberação de toxina Shiga e piorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Síndrome Hemolítica-Urêmica (SHU) em crianças?

Os sinais incluem palidez, sonolência, diminuição da diurese (oligúria), urina escura, edema e, laboratorialmente, anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda.

Qual a relação entre diarreia sanguinolenta e SHU?

A SHU é frequentemente precedida por um episódio de diarreia sanguinolenta, geralmente causada por infecção por Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC), como a O157:H7.

Quais são os componentes da tríade clássica da SHU?

A tríade clássica da SHU é composta por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda.

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