Síndrome Hemolítica Urêmica: Diagnóstico e Manejo Pediátrico

HNMD - Hospital Naval Marcílio Dias (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Criança de 4 anos, evoluindo com palidez cutânea mucosa e queda do estado geral há 24 horas. Pai relata que criança apresentou diarreia com presença de sangue, vômitos e febre há 1 semana. Refere também que a criança diminuiu quantidade de diurese, mesmo recebendo soro de reidratação oral, fornecido pelo posto de saúde. Exames laboratoriais: hemoglobina = 6,8 mg/dl, hematócrito = 20%, leucócitos totais = 20000 (18% bastões e 60% segmentados) e plaquetas = 82000. Creatinina = 5,2, Ureia = 200, potássio = 6,0 e reserva alcalina = 15. A hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Insuficiência renal crônica.
  2. B) Glomerulonefrite aguda pós-estreptocócica.
  3. C) Síndrome hemolítica urêmica. 
  4. D) Leucemia linfoblática aguda.
  5. E) Síndrome nefrótica.

Pérola Clínica

Diarreia sanguinolenta + IRA + Anemia Hemolítica + Plaquetopenia = SHU.

Resumo-Chave

A Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU) é uma tríade caracterizada por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda, frequentemente precedida por um quadro de diarreia sanguinolenta, geralmente causada por infecção por E. coli produtora de toxina Shiga.

Contexto Educacional

A Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU) é uma microangiopatia trombótica grave, mais comum em crianças, caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda. É uma das principais causas de insuficiência renal aguda em pediatria e exige reconhecimento e manejo rápidos. A forma mais comum, a SHU típica ou diarreia-associada (D+ SHU), é precedida por um pródromo de diarreia, frequentemente sanguinolenta, causada por infecções por bactérias produtoras de toxina Shiga, como a Escherichia coli O157:H7. A toxina Shiga danifica o endotélio vascular, levando à formação de trombos nos pequenos vasos, consumo de plaquetas e hemólise mecânica dos eritrócitos. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a identificação da tríade e a história de diarreia prévia. O tratamento é essencialmente de suporte, focando na manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico, controle da pressão arterial, manejo da anemia e trombocitopenia, e suporte dialítico para a insuficiência renal. O prognóstico é variável, mas a maioria das crianças se recupera, embora algumas possam ter sequelas renais a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes da tríade clássica da Síndrome Hemolítica Urêmica (SHU)?

A SHU é caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos no esfregaço), trombocitopenia e insuficiência renal aguda.

Qual a principal causa da SHU em crianças e como ela se manifesta?

A causa mais comum é a infecção por E. coli produtora de toxina Shiga (STEC), geralmente O157:H7, que se manifesta inicialmente como diarreia, frequentemente sanguinolenta, seguida pelo desenvolvimento da tríade da SHU.

Qual o manejo inicial de uma criança com suspeita de SHU?

O manejo é de suporte, incluindo hidratação cuidadosa, controle da hipertensão, correção de distúrbios eletrolíticos (hipercalemia), transfusões sanguíneas se necessário e, em casos de IRA grave, diálise. Antibióticos são geralmente evitados, pois podem piorar a liberação de toxinas.

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