Síndrome HELLP: Diagnóstico, Complicações e Manejo Urgente

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2015

Enunciado

Grávida com 31 semanas chegou a emergência confusa, referindo dor abdominal em hipogástrio. Os exames demonstraram: hematócrito 30%, leucócitos 10.500/mm³, plaquetas 63.000/mm, proteinúria de 5,4 g/24 horas, AST: 70 UI/L, DHL: 1010 U/L , ácido úrico: 7,5 mg/dl. Após 4 horas na observação, evoluiu com choque hipovolêmico, irreversível e óbito. Foi submetida à cesariana pós-morte, com nascimento de RN sexo masculino, P = 1300 gr. Em relação à causa do óbito materno, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Síndrome Hellp, causa obstétrica direta, evitável
  2. B) Eclâmpsia, causa obstétrica inevitável
  3. C) Causa desconhecida, não classificável, inevitável
  4. D) Síndrome Hellp, causa obstétrica indireta, inevitável

Pérola Clínica

HELLP: hemólise, enzimas hepáticas elevadas, plaquetopenia. Complicação grave da pré-eclâmpsia, causa obstétrica direta e evitável.

Resumo-Chave

O quadro clínico e laboratorial (confusão, dor abdominal, plaquetopenia, hemólise - DHL elevado, enzimas hepáticas elevadas, proteinúria) é altamente sugestivo de Síndrome HELLP, uma complicação grave da pré-eclâmpsia. É uma causa obstétrica direta e, com diagnóstico e manejo adequados, o óbito materno é frequentemente evitável.

Contexto Educacional

A Síndrome HELLP (Hemólise, Enzimas hepáticas Elevadas e Plaquetopenia) é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. Geralmente ocorre no terceiro trimestre da gestação, mas pode surgir no pós-parto. Sua apresentação clínica é variada e pode ser insidiosa, dificultando o diagnóstico precoce. Os sintomas incluem dor epigástrica ou no quadrante superior direito, náuseas, vômitos, cefaleia e mal-estar. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada e ativação plaquetária, levando a microangiopatia, hemólise, disfunção hepática e consumo de plaquetas. Os achados laboratoriais são cruciais para o diagnóstico: plaquetopenia (<100.000/mm³), elevação das transaminases (AST e ALT) e sinais de hemólise (DHL elevado, bilirrubina indireta aumentada, esquizócitos). A proteinúria, embora comum, não é um critério diagnóstico obrigatório para HELLP, mas é um marcador da pré-eclâmpsia subjacente. O manejo da Síndrome HELLP é uma emergência obstétrica. A estabilização da paciente, controle da pressão arterial, prevenção de convulsões (sulfato de magnésio) e, crucialmente, a interrupção da gestação são as principais condutas. O óbito materno, como no caso descrito, é uma complicação trágica e, muitas vezes, evitável com o reconhecimento rápido do quadro e a intervenção adequada, destacando a importância da vigilância e do manejo oportuno em unidades de emergência obstétrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome HELLP?

A Síndrome HELLP é diagnosticada pela presença de hemólise (esquizócitos no esfregaço, DHL > 600 U/L, bilirrubina indireta > 1,2 mg/dL), enzimas hepáticas elevadas (AST/ALT > 2x o limite superior da normalidade) e plaquetopenia (< 100.000/mm³).

Por que a Síndrome HELLP é considerada uma causa de óbito materno evitável?

Embora grave, o óbito materno por Síndrome HELLP é frequentemente evitável com o diagnóstico precoce, estabilização da paciente e interrupção imediata da gestação, que é o tratamento definitivo.

Quais são as principais complicações maternas da Síndrome HELLP?

As complicações incluem coagulação intravascular disseminada (CIVD), insuficiência renal aguda, edema pulmonar, hemorragia cerebral, descolamento prematuro de placenta, hematoma subcapsular hepático e ruptura hepática, além de choque hipovolêmico.

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