Síndrome HELLP: Diagnóstico, Critérios e Conduta Clínica

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Paciente com 34 semanas de gestação, g3 p2 partos normais, iniciou quadro há 3 dias de náuseas e epigastralgia, deu entrada na emergência com exame físico PA = 180×110 mmHg, útero com tônus normal, sem metrossístoles e boa movimentação fetal. Os exames laboratoriais realizados revelam: DHL 720 UI, TGO = 170 U/L, TGP = 150 U/L, 85.000 plaquetas/mm. Quais seriam o diagnóstico mais provável e a melhor conduta, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Hepatite B / internação, sintomáticos e repouso.
  2. B) Pré-eclâmpsia leve / metildopa oral e AAS.
  3. C) Eclâmpsia / sulfato de magnésio e indução do parto.
  4. D) HELLP síndrome / sulfato de magnésio, hidralazina venosa e parto cesárea após estabilização do quadro.
  5. E) Hipertensão crônica com pré-eclâmpsia sobreposta / corticoide, metildopa e internação.

Pérola Clínica

HELLP = Hemólise (↑DHL) + ↑Enzimas hepáticas + Plaquetas < 100k. Conduta: Magnésio + Anti-hipertensivo + Parto.

Resumo-Chave

A Síndrome HELLP é uma forma grave de pré-eclâmpsia caracterizada por hemólise, disfunção hepática e plaquetopenia, exigindo estabilização materna imediata e interrupção da gestação.

Contexto Educacional

A Síndrome HELLP representa o espectro final da lesão endotelial na pré-eclâmpsia, onde ocorre uma microangiopatia trombótica. A ativação da cascata de coagulação e a deposição de fibrina nos sinusoides hepáticos levam à obstrução do fluxo sanguíneo e necrose hepatocelular, explicando a elevação de transaminases e a dor abdominal. A hemólise é do tipo microangiopática, resultando na formação de esquizócitos. O manejo clínico prioriza a tríade: 1) Prevenção de convulsões com sulfato de magnésio (esquemas de Zuspan ou Pritchard); 2) Controle da hipertensão grave para evitar desfechos cerebrovasculares; 3) Avaliação do bem-estar fetal e decisão sobre a via de parto. Em gestações acima de 34 semanas com HELLP, a interrupção é a conduta definitiva após estabilização. Abaixo de 34 semanas, a conduta pode ser individualizada, mas a síndrome HELLP completa geralmente impõe o parto em curto prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios laboratoriais para Síndrome HELLP?

A Síndrome HELLP é definida pelos critérios de Tennessee: 1) Hemólise, evidenciada por esquizócitos no sangue periférico ou DHL ≥ 600 UI/L; 2) Enzimas hepáticas elevadas, com TGO (AST) ≥ 70 UI/L; 3) Plaquetopenia, com contagem de plaquetas < 100.000/mm³. A presença de dor epigástrica ou no hipocôndrio direito é um sintoma clássico decorrente da distensão da cápsula de Glisson.

Como deve ser feito o controle da pressão arterial na Síndrome HELLP?

Em níveis pressóricos de emergência (PA ≥ 160x110 mmHg), deve-se utilizar anti-hipertensivos de ação rápida por via venosa, como a hidralazina ou o labetalol, com o objetivo de reduzir a pressão arterial para níveis seguros (geralmente entre 140-150 / 90-100 mmHg) para prevenir acidente vascular cerebral hemorrágico, sem comprometer a perfusão placentária.

Qual o papel do sulfato de magnésio neste cenário?

O sulfato de magnésio é obrigatório em todos os casos de pré-eclâmpsia grave e Síndrome HELLP. Ele atua na prevenção de convulsões (eclâmpsia) através do bloqueio de receptores NMDA e vasodilatação cerebral. Deve ser iniciado imediatamente após o diagnóstico e mantido por 24 horas após o parto ou após a melhora clínica/laboratorial.

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