UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 38a, primigesta, IG= 28 semanas, procura Pronto Atendimento com queixa de inchaço nas mãos e pés há uma semana. Há dois dias vem apresentando dor abdominal, principalmente no flanco direito, redução de volume urinário, com coloração escura. Antecedentes: acompanhamento de pré-natal regular em Unidade Básica de Saúde, sem comorbidades. Exame físico: PA=130/92mmHg; FC=100bpm; FR=18irpm; abdome=útero normotônico, uma contração de 35seg em 10min, altura uterina=23cm, BCF=152bpm, pouco doloroso difusamente à palpação, descompressão brusca negativa. Toque vaginal=colo uterino grosso, posterior, impérvio. Membros inferiores= edema de 2+/4+ bilateralmente, pulsossimétricos. Exames laboratoriais: hemoglobina=13,7g/dL; hematócrito=39,5%; leucócitos=11.990/mm³; plaquetas=98.000/mm³; LDH=3.803UI/L; ALT=533UI/L; bilirrubina total=3,22mg/dL; CK=193UI/L; creatinina=1,62mg/dL; relação proteína/creatinina urinária=0,32. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:
HELLP: Trombocitopenia + ↑ enzimas hepáticas + hemólise (↑ LDH/bilirrubina) em gestante com pré-eclâmpsia.
A paciente apresenta um quadro clínico e laboratorial clássico de Síndrome HELLP, uma complicação grave da pré-eclâmpsia. Os achados de trombocitopenia, elevação de enzimas hepáticas, LDH e bilirrubina, juntamente com dor abdominal e disfunção renal, são altamente sugestivos.
A Síndrome HELLP (Hemólise, Enzimas Hepáticas Elevadas e Baixas Plaquetas) é uma forma grave e potencialmente fatal de pré-eclâmpsia, afetando cerca de 0,5% a 0,9% de todas as gestações. Sua importância clínica reside na rápida progressão e no alto risco de morbimortalidade materna e fetal, exigindo reconhecimento e manejo imediatos. É crucial para residentes identificar precocemente essa condição para evitar complicações graves como ruptura hepática, insuficiência renal aguda e coagulação intravascular disseminada. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, levando a vasoconstrição, ativação plaquetária e microangiopatia. O diagnóstico é laboratorial, mas a suspeita clínica deve surgir em gestantes com pré-eclâmpsia que desenvolvem sintomas como dor epigástrica ou no quadrante superior direito, náuseas, vômitos, cefaleia e mal-estar. A diferenciação de outras condições como esteatose hepática aguda da gravidez ou púrpura trombocitopênica trombótica é fundamental para o manejo adequado. O tratamento definitivo da Síndrome HELLP é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, após estabilização materna. Antes do parto, o manejo inclui controle da pressão arterial, prevenção de convulsões com sulfato de magnésio e, em gestações pré-termo, administração de corticosteroides para acelerar a maturidade pulmonar fetal. O prognóstico materno e fetal melhora significativamente com o diagnóstico precoce e a conduta adequada.
Os critérios laboratoriais incluem hemólise (evidenciada por esquizócitos no esfregaço, bilirrubina indireta >1,2 mg/dL ou LDH >600 UI/L), enzimas hepáticas elevadas (AST ou ALT >70 UI/L) e plaquetas baixas (<100.000/mm³).
A dor no flanco direito ou epigástrica é um sintoma comum na Síndrome HELLP e pode indicar distensão da cápsula hepática devido a edema ou hemorragia subcapsular, sendo um sinal de gravidade e potencial complicação hepática.
A Síndrome HELLP se diferencia pela combinação específica de pré-eclâmpsia com hemólise, enzimas hepáticas elevadas e trombocitopenia. Outras condições podem ter sintomas semelhantes, mas raramente apresentam essa tríade laboratorial completa e grave.
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