Síndrome HELLP: Diagnóstico Laboratorial e Critérios

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Para responder à questão, leia o caso a seguir.C.S.A., 24 anos, primigesta, IG 31 semanas, encaminhada do pré-natal por elevação de PA, assintomática. Nega hipertensão prévia. Sem uso de medicação anti-hipertensiva. Ao exame físico: PA 150 x 100 mmHg, AU: 25 cm, DU ausente, colo uterino impérvio, BCF 158 bpm. Ultrassom pela medicina fetal do mesmo dia demonstrando feto em apresentação cefálica, peso fetal no percentil 3, diástole zero em artéria umbilical, ducto venoso IP: 0,60.Após resultados de exames, identificados: plaquetas: 82000; TGO 140; TGP 100; DHL 900; ácido úrico 7, assinale o diagnóstico correto.

Alternativas

  1. A) Pré-eclâmpsia leve.
  2. B) Pré-eclâmpsia super-ajuntada.
  3. C) Síndrome HELLP.
  4. D) Eclâmpsia.
  5. E) Hipertensão gestacional.

Pérola Clínica

LDH > 600 + TGO/TGP ↑ + Plaquetas < 100.000 = Síndrome HELLP.

Resumo-Chave

A Síndrome HELLP é uma variante grave da pré-eclâmpsia definida laboratorialmente por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, independentemente dos níveis pressóricos.

Contexto Educacional

A Síndrome HELLP (Hemolysis, Elevated Liver enzymes, Low Platelets) representa o espectro mais grave das doenças hipertensivas da gestação. Sua fisiopatologia envolve uma ativação endotelial sistêmica que leva à deposição de fibrina nos microvasos, resultando em anemia hemolítica microangiopática (fragmentação de hemácias ao passarem por vasos obstruídos) e consumo de plaquetas. O acometimento hepático decorre da obstrução do fluxo sanguíneo sinusoidal por depósitos de fibrina, levando à necrose periportal e elevação das transaminases. É fundamental que o obstetra não se guie apenas pelos níveis de pressão arterial, pois a Síndrome HELLP pode se manifestar com hipertensão leve ou até normotensão em uma minoria de casos. O diagnóstico é eminentemente laboratorial e o atraso no reconhecimento aumenta drasticamente o risco de complicações como descolamento prematuro de placenta (DPP), insuficiência renal aguda e hematoma hepático roto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios laboratoriais exatos para Síndrome HELLP?

Os critérios clássicos (Classificação de Tennessee) incluem: 1) Hemólise evidenciada por esquizócitos no sangue periférico ou LDH ≥ 600 U/L; 2) Disfunção hepática com TGO (AST) ≥ 70 U/L; 3) Plaquetopenia com contagem de plaquetas < 100.000/mm³. No caso apresentado, a paciente preenche todos os critérios: LDH 900, TGO 140 e Plaquetas 82.000, confirmando o diagnóstico de Síndrome HELLP completa.

Qual a conduta imediata na Síndrome HELLP com 31 semanas?

A Síndrome HELLP é uma indicação de interrupção da gestação após estabilização materna. A conduta inclui: 1) Prevenção de eclampsia com Sulfato de Magnésio; 2) Controle da hipertensão se necessário; 3) Avaliação da vitalidade fetal. Em gestações < 34 semanas, a corticoterapia para maturidade pulmonar fetal pode ser considerada se o quadro materno permitir aguardar 24-48h, mas a deterioração laboratorial ou clínica impõe o parto imediato.

Como diferenciar Síndrome HELLP de Esteatose Hepática Aguda da Gravidez?

Embora ambas ocorram no terceiro trimestre, a Esteatose Hepática Aguda da Gravidez (EHAG) costuma cursar com hipoglicemia grave, prolongamento do tempo de protrombina (TAP/INR) e insuficiência renal mais precoce. A Síndrome HELLP é marcada predominantemente pela hemólise microangiopática e plaquetopenia severa. A hipertensão e proteinúria estão presentes em 80-85% dos casos de HELLP, mas podem estar ausentes na EHAG.

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