Síndrome HELLP: Diagnóstico, Critérios e Conduta Obstétrica

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2015

Enunciado

Primigesta, 34ª semana, com edema pré-tibial, PA = 150x100 mmHg, altura uterina = 30 cm, apresentação cefálica e BCF = 144 bpm. Ao toque, índice de Bishop = 5. Os exames revelaram proteinúria (+), plaquetas=90.000/mm³, DHL=620 U/L, AST(TGO)=75 U/L, bilirrubina total = 1,5 mg/dL e presença de esquizócitos no sangue periférico. Considerando esse quadro, o diagnóstico e a conduta são, respectivamente: 

Alternativas

  1. A) pré-eclâmpsia grave / indicar cesárea.
  2. B) síndrome HELLP / indicar cesárea.
  3. C) pré-eclâmpsia grave / iniciar preparo de colo.
  4. D) síndrome HELLP / iniciar indução do parto.
  5. E) hipertensão gestacional / indicar cesárea.

Pérola Clínica

HELLP = Hemólise + Enzimas Hepáticas Elevadas + Plaquetas Baixas. Conduta >34 sem: interrupção da gestação.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios diagnósticos para Síndrome HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas, plaquetas baixas), uma complicação grave da pré-eclâmpsia. Em gestações >34 semanas, a conduta é a interrupção da gestação, seja por indução do parto ou cesariana, dependendo das condições obstétricas.

Contexto Educacional

A Síndrome HELLP é uma complicação grave da gestação, considerada uma variante da pré-eclâmpsia grave, que pode levar a morbimortalidade materna e perinatal significativa. O acrônimo HELLP refere-se a Hemolysis (hemólise), Elevated Liver enzymes (elevação de enzimas hepáticas) e Low Platelets (plaquetopenia). Sua incidência varia de 0,2% a 0,6% de todas as gestações, sendo mais comum em multíparas e em gestações anteriores com pré-eclâmpsia. O diagnóstico é clínico e laboratorial, exigindo a presença dos três componentes. A hemólise é evidenciada por esquizócitos no esfregaço de sangue periférico, aumento da bilirrubina indireta e da desidrogenase láctica (DHL). A disfunção hepática é confirmada pela elevação das transaminases (AST e ALT). A plaquetopenia é definida por contagem de plaquetas abaixo de 100.000/mm³. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, levando a vasoespasmo, ativação plaquetária e microangiopatia. A conduta principal na Síndrome HELLP é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, devido ao risco iminente de complicações maternas como ruptura hepática, insuficiência renal aguda, coagulação intravascular disseminada e edema pulmonar. Em gestações acima de 34 semanas, a interrupção é imediata. Abaixo de 34 semanas, pode-se considerar a estabilização materna e a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal, se o quadro clínico permitir e por um período muito curto, antes da interrupção. A via de parto (indução ou cesariana) é decidida com base nas condições obstétricas e na gravidade do quadro materno.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome HELLP?

Os critérios incluem hemólise (esquizócitos, bilirrubina indireta >1,2 mg/dL, DHL >600 U/L), enzimas hepáticas elevadas (AST/ALT >70 U/L) e plaquetopenia (<100.000/mm³).

Qual a conduta principal em caso de Síndrome HELLP em gestação >34 semanas?

A conduta principal é a interrupção da gestação, independentemente da idade gestacional, devido ao risco materno e fetal. A via de parto (indução ou cesárea) depende das condições obstétricas e da urgência.

Como a Síndrome HELLP se diferencia da pré-eclâmpsia grave?

A Síndrome HELLP é considerada uma forma grave de pré-eclâmpsia, mas se distingue pela presença da tríade de hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia, que não são obrigatórias na pré-eclâmpsia grave sem HELLP.

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