Síndrome HELLP: Diagnóstico, Critérios e Conduta Obstétrica

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

FRP, 34 anos. Gesta 3 Para 2, admitida na maternidade, proveniente do HFM, para tratamento clínico. No momento, paciente com dor epigástrica, torporosa, ictérica e edema facial, mãos, membros inferiores e abdômen PA=210/120mmHg Fígado palpável a 2 dedos transversos da reborda costal direita. Ao exame obstétrico feto único, situação longitudinal, apresentação cefálica, FU=33cm, BCF=130bpm, EAS=hematúria. Foi indicada interrupção da gravidez. Qual o diagnóstico provável?

Alternativas

  1. A) Hepatite C;
  2. B) Esteatose hepática;
  3. C) Síndrome HELLP;
  4. D) Síndrome gordurosa hepática;
  5. E) Pré-eclâmpsia grave;

Pérola Clínica

Dor epigástrica + Icterícia + Hipertensão grave na gestação → Diagnóstico provável: Síndrome HELLP.

Resumo-Chave

A Síndrome HELLP é uma complicação crítica da pré-eclâmpsia definida por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia, exigindo interrupção da gestação.

Contexto Educacional

A Síndrome HELLP (Hemolysis, Elevated Liver enzymes, Low Platelets) representa uma das formas mais graves do espectro das doenças hipertensivas da gestação. A fisiopatologia central é a disfunção endotelial sistêmica, que leva à ativação da cascata de coagulação e deposição de fibrina nos sinusoides hepáticos, resultando em isquemia e distensão da cápsula de Glisson (causando a dor epigástrica característica). Clinicamente, a paciente pode apresentar sintomas inespecíficos como mal-estar, náuseas e cefaleia, mas a presença de icterícia e dor no quadrante superior direito em uma gestante hipertensa deve ser considerada HELLP até que se prove o contrário. O manejo requer vigilância em unidade de terapia intensiva ou semi-intensiva, monitorização rigorosa de eletrólitos, função renal e perfil de coagulação, visando minimizar a morbimortalidade materna e perinatal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios laboratoriais clássicos da Síndrome HELLP?

O diagnóstico baseia-se na tríade: 1) Hemólise (esquizócitos no sangue periférico, LDH > 600 U/L ou bilirrubina total > 1,2 mg/dL); 2) Elevação de enzimas hepáticas (AST ≥ 70 U/L); 3) Plaquetopenia (contagem de plaquetas < 100.000/mm³). A presença de dor epigástrica e hipertensão grave, como no caso clínico, reforça fortemente a suspeita clínica antes mesmo dos resultados laboratoriais completos.

Qual a conduta imediata diante de uma Síndrome HELLP?

A conduta envolve a estabilização materna com controle pressórico (hidralazina ou labetalol), prevenção de convulsões com sulfato de magnésio e a interrupção da gravidez. A via de parto depende das condições obstétricas e da urgência do quadro, mas a estabilização hemodinâmica deve preceder o procedimento cirúrgico para reduzir riscos de coagulopatia e sangramento.

Como diferenciar HELLP de Esteatose Hepática Aguda da Gravidez?

Embora ambas causem icterícia e dor abdominal, a Esteatose Hepática Aguda da Gravidez (EHAG) costuma cursar com hipoglicemia grave, prolongamento do tempo de protrombina (TP/INR) e falência renal precoce, frequentemente sem a hipertensão ou proteinúria marcantes da pré-eclâmpsia/HELLP. A HELLP é primariamente uma microangiopatia trombótica.

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