SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015
Gestante, 25 anos de idade, chega à maternidade do Hospital Geral às 14 horas, desacordada e trazida por vizinhos. Uma das acompanhantes contou que a paciente referiu uma "dor na região do estômago" durante a manhã, auto medicou-se com analgésico e há 15 minutos foi encontrada desacordada caída no chão do domicílio, com evidências de incontinência esfincteriana. Paciente sonolenta e desorientada, respondendo com certa dificuldade às perguntas. História obstétrica: G2P0A1, idade gestacional de 34 semanas, não trouxe cartão pré-natal. Exame físico, PA : 170/110mmHg, feto vivo. A paciente foi adequadamente medicada na urgência com a droga mais utilizada para o quadro. Diante do caso exposto, o plantonista solicitou vários exames laboratoriais e a contagem de plaquetas apresentou valor inferior a 100.000/mm³, indique três outros parâmetros laboratoriais que ajudariam a caracterizar o quadro, com resultados previstos.
Convulsão + Hipertensão + Epigastralgia na gestação → Eclâmpsia e Síndrome HELLP.
O quadro clínico de convulsão associado à hipertensão e dor epigástrica sugere Eclâmpsia e Síndrome HELLP. O diagnóstico laboratorial da HELLP exige evidência de hemólise, lesão hepática e plaquetopenia.
A Eclâmpsia é uma emergência obstétrica definida pela ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em pacientes com pré-eclâmpsia, não atribuíveis a outras causas. A fisiopatologia envolve vasoespasmo cerebral e edema citotóxico. A Síndrome HELLP, frequentemente associada, representa uma forma grave de microangiopatia trombótica específica da gestação. O manejo imediato foca na estabilização materna (ABC), controle da pressão arterial (objetivando níveis abaixo de 160/110 mmHg para evitar AVC) e administração de sulfato de magnésio. A interrupção da gestação é o tratamento definitivo, mas o momento depende da estabilização materna e da viabilidade fetal, sendo geralmente indicada após a estabilização do quadro agudo.
A Síndrome HELLP é definida pela tríade: Hemólise (H), Enzimas hepáticas elevadas (EL) e Baixas plaquetas (LP). Os parâmetros laboratoriais clássicos incluem: 1. Hemólise evidenciada por esquizócitos no sangue periférico ou Bilirrubina Total ≥ 1,2 mg/dL ou LDH > 600 U/L; 2. Elevação de transaminases (AST/TGO ≥ 70 U/L); 3. Plaquetopenia (< 100.000/mm³). O diagnóstico precoce é fundamental para reduzir a morbimortalidade materna e fetal.
O Sulfato de Magnésio é a droga de escolha tanto para a prevenção (na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade) quanto para o tratamento das convulsões na eclâmpsia. O esquema de Pritchard (IM) ou Zuspan (EV) deve ser utilizado, monitorando-se sempre o reflexo patelar, a frequência respiratória e a diurese para evitar a intoxicação por magnésio, cujo antídoto é o gluconato de cálcio.
A dor epigástrica ou no hipocôndrio direito em gestantes hipertensas é um sinal de alerta crítico. Ela geralmente reflete o estiramento da cápsula de Glisson devido ao edema ou hemorragia hepática (infarto hepático), sendo um dos componentes clínicos que sugerem a evolução para Síndrome HELLP ou iminência de eclampsia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo