Síndrome HELLP: Diagnóstico e Critérios Laboratoriais

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

C.S.A., 24 anos, primigesta, IG por usg precoce de 31 semanas e 3 dias, deu entrada no PSO referindo cefaleia fronto occipital de forte intensidade, com início há 3 horas, além de turvação visual e epigastralgia. Sem outras sintomatologias. Refere movimentos fetais normais. Nega comorbidades prévias ou uso de medicações. Ao exame físico: bom estado geral, corada e hidratada. Dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal. BCF 145 bpm. Toque vaginal: não realizado (paciente sem queixas). PA 170 x 110 mmHg, FC 100 bpm. Realizada a propedêutica laboratorial: hb 10,1 g/dL; htco 26%; plaquetas 90000; creatinina 1,1 mg/dL; AST 200 U/L; ALT 310 U/L; DHL 710 U/L; relação proteína na urina/creatinina na urina: 1,0.Considerando o quadro clínico exposto, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico adequado.

Alternativas

  1. A) Eclâmpsia.
  2. B) Pré-eclâmpsia superajuntada.
  3. C) Síndrome HELLP.
  4. D) Hipertensão gestacional.
  5. E) Hipertensão arterial crônica.

Pérola Clínica

Gestante com PA elevada + plaquetopenia + ↑ enzimas hepáticas + hemólise (↑ DHL) = Síndrome HELLP.

Resumo-Chave

A Síndrome HELLP é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada por Hemólise (H), Elevação de Enzimas Hepáticas (EL) e Baixa Contagem de Plaquetas (LP). O quadro clínico inclui hipertensão, cefaleia, turvação visual e epigastralgia, com achados laboratoriais específicos que confirmam o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Síndrome HELLP (Hemolysis, Elevated Liver enzymes, Low Platelets) é uma complicação obstétrica grave e potencialmente fatal, considerada uma variante da pré-eclâmpsia grave. Geralmente ocorre no terceiro trimestre da gravidez ou no pós-parto imediato, e seu reconhecimento precoce é fundamental para a redução da morbimortalidade materna e perinatal. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial generalizada, levando a microangiopatia, ativação plaquetária e disfunção hepática. O diagnóstico da Síndrome HELLP é clínico e laboratorial. Clinicamente, a paciente pode apresentar hipertensão, cefaleia intensa, turvação visual, dor em quadrante superior direito do abdome ou epigastralgia, náuseas e vômitos. Laboratorialmente, os critérios incluem: hemólise (evidenciada por esquizócitos no esfregaço de sangue periférico, bilirrubina indireta elevada e DHL >600 U/L), elevação das enzimas hepáticas (AST ou ALT >70 U/L) e plaquetopenia (<100.000/mm³). A presença desses achados laboratoriais, mesmo na ausência de hipertensão ou proteinúria clássicas da pré-eclâmpsia, pode indicar HELLP. O manejo da Síndrome HELLP é complexo e exige estabilização materna e, frequentemente, a interrupção da gravidez, independentemente da idade gestacional, uma vez que a condição pode progredir rapidamente para complicações como CIVD, insuficiência renal aguda, edema pulmonar e hemorragia cerebral. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente os sinais e sintomas, solicitar os exames corretos e iniciar o tratamento adequado para otimizar os desfechos maternos e fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Síndrome HELLP?

Os critérios incluem hemólise (esquizócitos no esfregaço, bilirrubina indireta >1,2 mg/dL, DHL >600 U/L), elevação de enzimas hepáticas (AST ou ALT >70 U/L) e plaquetopenia (<100.000/mm³).

Quais sintomas sugerem Síndrome HELLP em gestantes?

Sintomas comuns são cefaleia intensa, turvação visual, dor epigástrica ou em quadrante superior direito, náuseas e vômitos, além de hipertensão arterial.

Como a Síndrome HELLP se diferencia da pré-eclâmpsia grave?

A Síndrome HELLP é uma forma particular e mais grave da pré-eclâmpsia, caracterizada por disfunção hepática, hemólise e plaquetopenia, que são critérios específicos e não apenas sintomas de gravidade da pré-eclâmpsia.

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