Síndrome HELLP: Fisiopatologia e Mecanismos Chave

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

A síndrome HELLP acontece nos casos graves de pré-eclâmpsia e de eclâmpsia, quando associados à hemólise, à elevação das enzimas hepáticas e à plaquetopenia. Acerca da fisiopatologia dessa síndrome, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Lesões endoteliais ativam plaquetas, induzindo a agregação e a formação de trombos. Tal processo leva ao consumo exacerbado das plaquetas, culminando em trombocitopenia de consumo.
  2. B) O aumento da permeabilidade vascular é o principal evento relacionado à elevação de enzimas hepáticas.
  3. C) A permeabilidade vascular aumentada favorece o extravasamento de hemácias e plaquetas para o terceiro espaço e esse processo determina a plaquetopenia e a hemólise.
  4. D) A plaquetopenia associada ao consumo de fibrina e aos fatores de coagulação nos capilares sobrecarrega o fígado e, por isso, há elevação das enzimas hepáticas.
  5. E) A vasodilatação determinada por intensa resposta inflamatória causa lesão endotelial, que, por sua vez, ativa a cascata da coagulação e a passagem das hemácias pelas redes de fibrina, causando hemólise.

Pérola Clínica

Síndrome HELLP: lesão endotelial → ativação/agregação plaquetária → trombos microvasculares → consumo plaquetário, hemólise e disfunção hepática.

Resumo-Chave

A síndrome HELLP é uma complicação grave da pré-eclâmpsia/eclâmpsia, caracterizada por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia. Sua fisiopatologia central envolve lesão endotelial generalizada, que leva à ativação e agregação plaquetária, formação de microtrombos e consumo de plaquetas, resultando em disfunção de múltiplos órgãos.

Contexto Educacional

A síndrome HELLP (Hemólise, Elevação de Enzimas Hepáticas e Plaquetopenia) é uma complicação grave e potencialmente fatal da pré-eclâmpsia e eclâmpsia, que ocorre em aproximadamente 10-20% dos casos de pré-eclâmpsia grave. Sua compreensão é vital para o manejo obstétrico e clínico. A fisiopatologia da síndrome HELLP é complexa e está intrinsecamente ligada à disfunção endotelial generalizada, característica da pré-eclâmpsia. A lesão do endotélio vascular, especialmente nos sinusoides hepáticos, ativa as plaquetas, levando à sua agregação e à formação de microtrombos. Esse processo consome as plaquetas, resultando em trombocitopenia. A passagem dos eritrócitos por esses microtrombos nos pequenos vasos causa sua fragmentação, resultando em hemólise microangiopática, evidenciada por esquizócitos no esfregaço sanguíneo e elevação da LDH e bilirrubina indireta. A oclusão dos sinusoides hepáticos e a necrose periportal levam à elevação das enzimas hepáticas (AST e ALT). O tratamento definitivo é o parto, independentemente da idade gestacional, uma vez que a condição pode progredir rapidamente para falência de múltiplos órgãos e morte materna/fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a síndrome HELLP?

Os critérios incluem: Hemólise (esquizócitos no esfregaço, bilirrubina indireta > 1,2 mg/dL, LDH > 600 U/L); Elevação de enzimas hepáticas (AST ou ALT > 2x o limite superior da normalidade); e Plaquetopenia (plaquetas < 100.000/mm³).

Qual o papel da lesão endotelial na fisiopatologia da síndrome HELLP?

A lesão endotelial generalizada é o evento central. Ela expõe o subendotélio, levando à ativação e agregação plaquetária. Isso resulta na formação de microtrombos nos capilares, especialmente no fígado e rins, causando consumo de plaquetas (trombocitopenia), obstrução vascular e dano aos eritrócitos (hemólise microangiopática) e disfunção orgânica.

Como a síndrome HELLP se relaciona com a pré-eclâmpsia e eclâmpsia?

A síndrome HELLP é considerada uma forma grave de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia. Ela representa a manifestação mais severa da disfunção endotelial e microangiopatia trombótica que caracterizam essas condições, com envolvimento hepático e hematológico proeminente.

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