FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022
FRP, 34 anos, Gesta 3 Para 2, admitida na maternidade proveniente da UPA. No momento, paciente com dor epigástrica, torporosa, ictérica e edema facial, das mãos, membros inferiores e abdômen. PA=210/120mmHg. Fígado doloroso e palpável a 2 dedos transversos da borda costal direita. Exame obstétrico - feto único, situação longitudinal, apresentação cefálica, FU=32cm, BCF=140. EAS=hematúria. Foi indicada interrupção da gravidez. Qual o diagnóstico provável?
Gestante com dor epigástrica, torpor, icterícia, edema, PA alta, fígado doloroso, hematúria → Síndrome HELLP.
A Síndrome HELLP (Hemólise, Elevação de Enzimas Hepáticas e Plaquetopenia) é uma complicação grave da pré-eclâmpsia, caracterizada por dor epigástrica, icterícia, edema, hipertensão severa e disfunção hepática. A hematúria pode indicar comprometimento renal. A interrupção da gravidez é a única medida curativa, independentemente da idade gestacional, devido ao risco de vida materno-fetal.
A Síndrome HELLP é uma forma grave de pré-eclâmpsia, caracterizada por hemólise (H), elevação de enzimas hepáticas (EL) e plaquetopenia (LP). É uma emergência obstétrica que pode levar a alta morbimortalidade materna e perinatal se não for prontamente reconhecida e tratada. A etiologia exata não é totalmente compreendida, mas envolve disfunção endotelial generalizada e ativação plaquetária, resultando em microangiopatia e lesão de múltiplos órgãos. Os sintomas clínicos são variados e podem ser atípicos, dificultando o diagnóstico. A dor epigástrica ou no quadrante superior direito, icterícia, náuseas, vômitos, cefaleia e mal-estar geral são comuns. A hipertensão arterial grave e o edema são achados frequentes, mas a síndrome pode ocorrer em pacientes normotensas. O fígado doloroso à palpação é um sinal de alerta para comprometimento hepático severo, com risco de hemorragia subcapsular ou ruptura hepática. A hematúria indica lesão renal, que também é uma complicação da pré-eclâmpsia grave. O diagnóstico laboratorial é essencial, confirmando a tríade HELLP. O manejo é complexo e exige uma equipe multidisciplinar. A única medida curativa é a interrupção da gravidez, que deve ser realizada assim que a mãe estiver estabilizada, independentemente da idade gestacional. Residentes devem estar aptos a identificar rapidamente os sinais e sintomas da Síndrome HELLP, solicitar os exames adequados e iniciar o manejo, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode ter consequências devastadoras.
A Síndrome HELLP é diagnosticada pela presença de hemólise (esquizócitos no esfregaço, bilirrubina indireta elevada, LDH elevada), elevação das enzimas hepáticas (AST e ALT > 2x o limite superior da normalidade) e plaquetopenia (plaquetas < 100.000/mm³). Geralmente, está associada à pré-eclâmpsia grave, com hipertensão e proteinúria.
A dor epigástrica e o fígado doloroso são sintomas cruciais na Síndrome HELLP, indicando distensão da cápsula de Glisson devido ao edema hepático e hemorragia subcapsular. Esses achados, juntamente com icterícia e elevação das enzimas hepáticas, sugerem grave comprometimento hepático, que pode evoluir para ruptura hepática, uma complicação fatal.
A conduta mais indicada diante do diagnóstico de Síndrome HELLP é a interrupção da gravidez, independentemente da idade gestacional, após estabilização materna. Esta é a única medida curativa para a síndrome, visando prevenir a progressão da doença e suas complicações potencialmente fatais para a mãe e o feto. O parto pode ser vaginal ou cesariana, dependendo das condições obstétricas.
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